No estudo dos crimes sexuais, quando se constata lesão de hímen, devemos buscar a diferença entre roturas antigas e recentes, sendo que a presença de entalhes pode induzir o perito a erro. Em relação a diferenças entre entalhe e rotura, é correto afirmar que
- A)não há diferença macroscópica entre rotura e entalhe, sendo necessário o uso de microscópio para percebê-la.
Errada, porque há diferença macroscópica entre entalhe e rotura, e a distinção costuma ser feita ao exame direto, não por microscopia obrigatória.
- B)roturas são de aspecto simétrico.
Errada, porque roturas tendem a ser irregulares e assimétricas, não simétricas.
- C)entalhes são de aspecto assimétrico.
Errada, porque a assimetria é mais típica das roturas, enquanto os entalhes costumam ser mais regulares.
- D)roturas têm bordas regulares e angulação curva.
Errada, porque roturas não costumam ter bordas regulares nem angulação curva; o padrão é mais irregular e anguloso.
- E)entalhes são regulares com angulação curva.
Certa, porque entalhes apresentam contorno regular e angulação curva, sugerindo variante anatômica e não necessariamente lesão.
Gabarito: E
Na sexologia forense, quando o hímen apresenta uma solução de continuidade, o perito precisa diferenciar o que é lesão antiga ou recente e, principalmente, se aquilo é uma rotura traumática ou apenas um entalhe anatômico. Esse detalhe importa porque o entalhe pode ser uma variação natural do contorno himenal, sem relação com violência sexual. De forma prática, o entalhe costuma ter aspecto mais regular, com contorno suave e angulação curva, como uma pequena incisura moldada pelo próprio tecido. Já a rotura tende a ser mais irregular, com bordas desiguais e aspecto menos harmonioso, muitas vezes sugerindo solução de continuidade traumática. É justamente essa diferença de forma que ajuda o perito a não confundir uma variante normal com uma lesão. Por isso, o gabarito é a letra E: entalhes são regulares e com angulação curva. A banca quer que você associe entalhe a um aspecto mais “bonitinho”, mais uniforme, enquanto a rotura geralmente chama atenção pela irregularidade. Em prova, essa oposição entre regularidade e irregularidade costuma ser o caminho mais seguro. Na prática pericial, a análise não se faz só com uma olhada apressada. O exame deve considerar morfologia, simetria, localização e, quando possível, sinais de vitalidade ou cicatrização. Mas, para a questão, a chave é simples: entalhe não tem a cara de ruptura traumática.