No exame necroscópico de um cadáver carbonizado, a presença de fuligem nas vias aéreas e nas vias digestivas é indicadora de inalação e deglutição de fumaça, podendo apontar que a morte ocorreu após a exposição ao fogo. Considerando os órgãos que compõem as vias aéreas e digestivas, o(a):
- A)laringe liga a faringe ao esôfago;
Errada: a laringe liga a faringe à traqueia, e não à laringe ao esôfago.
- B)traqueia está localizada posteriormente ao esôfago;
Errada: a traqueia fica à frente do esôfago, não posteriormente a ele.
- C)faringe é um órgão comum às duas vias;
Certa: a faringe é um órgão comum às vias respiratória e digestiva.
- D)esôfago é revestido por anéis de cartilagem;
Errada: o esôfago não tem anéis de cartilagem; quem possui anéis cartilaginosos é a traqueia.
- E)epiglote localiza-se na entrada da traqueia.
Errada: a epiglote fica na entrada da laringe, auxiliando a proteger a via aérea durante a deglutição.
Gabarito: C
A questão mistura tanatologia forense com anatomia básica, aquela dupla que adora fazer o candidato escorregar. Em cadáver carbonizado, encontrar fuligem nas vias aéreas e até no tubo digestivo sugere que a pessoa respirou e engoliu fumaça ainda em vida, o que aponta morte após a exposição ao fogo. Para isso fazer sentido, você precisa lembrar como são organizadas as vias aéreas e digestivas. A faringe é justamente o trecho comum aos dois caminhos: por ela passam tanto o ar quanto o bolo alimentar. Depois, o ar segue para laringe e traqueia, enquanto o alimento segue para o esôfago. Por isso, o gabarito é a letra C. A faringe é um órgão comum às duas vias, o que explica como fumaça pode ser inalada e também deglutida em situações de incêndio. Em perícia, esse achado ajuda a diferenciar se a vítima estava viva durante a ação do fogo ou se foi queimada já após a morte. As demais alternativas confundem a ordem e a posição das estruturas. Aqui a lógica anatômica vale ouro: quem divide o caminho é a faringe, e não o esôfago ou a laringe.