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Medicina Legal · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina Legal

Crianças e pessoas com algum tipo de deficiência podem ser alvo de abusos diversos. Numa perícia médico-legal, podem ser indícios de maus-tratos:

Gabarito: A

Na perícia médico-legal, maus-tratos costumam deixar um “rastro” que não combina com acidente isolado: lesões de tipos diferentes, em locais diferentes do corpo e, muitas vezes, em fases diferentes de cicatrização. Isso chama atenção porque sugere repetição de agressões, e não um evento único e casual. Em crianças e pessoas com deficiência, o perito deve ter ainda mais cuidado, porque a vulnerabilidade é maior e a história relatada pode ser incompleta ou até manipulada por terceiros. O sinal clássico é justamente a presença de múltiplas lesões de etiologia variada, em diferentes estágios evolutivos, distribuídas em vários segmentos corporais. Em termos práticos, você pensa: hematoma antigo junto com escoriação recente, marca de trauma em braço e perna, tudo misturado. Isso é muito sugestivo de violência repetida, que é um dos padrões mais valorizados na traumatologia forense. A literatura médico-legal e a prática pericial ensinam que lesões em locais de proteção, como dorso, face interna dos braços, coxas e tronco, merecem atenção especial. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a obrigação de comunicação de suspeita ou confirmação de maus-tratos, o que reforça o dever de o perito não banalizar achados discretos quando o conjunto aponta para agressão. Por isso, o gabarito é a alternativa A: ela descreve exatamente o padrão clássico de maus-tratos, com lesões múltiplas, de causas variadas e em fases diferentes de evolução. As demais alternativas trazem achados que podem ocorrer em trauma acidental, atrito ou pequenas agressões, mas não traduzem tão bem o desenho típico de violência repetida.

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