Durante a investigação de um crime, alguns fatores auxiliam o perito na pesquisa da hora provável da morte, cuja determinação pode ser de grande valia, por meio da observação de alguns fenômenos cadavéricos, tais como:
- A)desidratação; resfriamento do corpo; flacidez muscular;
Errada, porque desidratação e flacidez muscular não formam o trio clássico usado para estimar a hora da morte.
- B)espasmo cadavérico; livores de hipóstase; mancha negra da esclerótica;
Errada, porque espasmo cadavérico é fenômeno raro e não integra os sinais usuais de cronologia da morte, e a mancha negra da esclerótica não substitui os sinais abióticos clássicos.
- C)resfriamento do corpo; livores de hipóstase; rigidez muscular;
Certa, porque reúne resfriamento do corpo, livores de hipóstase e rigidez muscular, os principais fenômenos cadavéricos usados na estimativa do intervalo pós-morte.
- D)relaxamento dos esfíncteres; resfriamento do corpo; livores de hipóstase;
Errada, porque o relaxamento dos esfíncteres não é um dos três fenômenos clássicos para determinar a hora provável da morte.
- E)mancha negra da esclerótica; resfriamento do corpo; rigidez muscular.
Errada, porque a mancha negra da esclerótica não é um dos sinais padrão de cronologia cadavérica, embora resfriamento e rigidez sejam fenômenos reais.
Gabarito: C
Na tanatologia forense, a estimativa da hora provável da morte costuma começar pelos fenômenos cadavéricos abióticos, isto é, as mudanças que o corpo sofre depois que a vida termina. Os clássicos mais úteis no início da investigação são o resfriamento do corpo (algor mortis), os livores de hipóstase (livor mortis) e a rigidez muscular, conhecida como rigidez cadavérica (rigor mortis). Esses sinais aparecem em sequência e ajudam o perito a montar uma linha do tempo. O resfriamento indica perda gradual de temperatura; os livores mostram a ação da gravidade sobre o sangue; e a rigidez traduz alterações químicas nos músculos após a morte. Não é um relógio perfeito, claro, porque ambiente, roupa, massa corporal e causa da morte mexem bastante com essa cronologia. A alternativa C está correta porque reúne exatamente esses três fenômenos cadavéricos clássicos usados na estimativa do intervalo pós-morte: resfriamento do corpo, livores de hipóstase e rigidez muscular. É o trio que aparece com frequência em doutrina de Medicina Legal, como em autores tradicionais de tanatologia forense. As demais opções misturam achados que não são os principais para essa finalidade ou trazem sinais de outros momentos/condições, como espasmo cadavérico, relaxamento dos esfíncteres, desidratação e mancha negra da esclerótica. Em prova, a banca gosta de trocar o nome bonito do fenômeno por outro que parece semelhante, então vale decorar os clássicos sem medo.