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Medicina Legal · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina Legal

Adolescente encaminhado ao IML, para exame de lesão corporal, alega ter sido agredido pelo padrasto, que teria tentado “enforcálo”. O exame revelou congestão e edema facial, presença de estigmas ungueais paralelamente dispostos nos dois lados do pescoço, múltiplas petéquias violáceas interessando as regiões mentoniana e mandibular, além de disfonia. O exame indica ter havido:

Gabarito: C

Na tanatologia forense, o padrão das lesões no pescoço ajuda muito a diferenciar os mecanismos de asfixia. Aqui, o quadro fala em congestão e edema facial, estigmas ungueais paralelos nos dois lados do pescoço, petéquias em face e disfonia. Isso é bem sugestivo de compressão cervical manual ou por laço, com impedimento da drenagem venosa e dificuldade respiratória, o que gera cianose, petéquias e voz alterada. O detalhe mais importante é a distribuição dos estigmas ungueais e a ausência de elementos típicos do enforcamento, como sulco ascendente e, muitas vezes, a suspensão do corpo. Quando há marcas digitais ou ungueais bilaterais no pescoço, o perito pensa logo em estrangulamento, porque a compressão costuma ser feita com as mãos ou com instrumento, e não pelo peso do próprio corpo. Já o enforcamento tem outra lógica: a força vem da tração do próprio corpo por um laço, com sulco geralmente oblíquo e ascendente. Neste caso, a narrativa do agressor pode confundir, mas a medicina legal não se guia pela fala de quem está no caso, e sim pelos sinais externos e internos do exame. É exatamente por isso que o gabarito é a letra C.

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