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Medicina Legal · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina Legal

Uma pessoa sofreu um acidente doméstico, ficando interposta num circuito de 220v por ter tocado o chuveiro com uma das mãos, enquanto tomava banho. Ela soltou um grito e caiu. Quando chegou o socorro, três minutos após o fato, já estava em parada cardiorrespiratória irreversível. O mecanismo letal, no caso, foi:

Gabarito: E

Na eletrocussão, o que mata não é apenas o “choque em si”, mas o efeito que a corrente elétrica provoca no corpo. Em acidentes com corrente alternada domiciliar, como a de 220 V, o coração costuma ser o alvo mais sensível. A passagem da corrente pode desorganizar a atividade elétrica cardíaca e produzir uma arritmia fatal em poucos segundos. No caso narrado, a vítima gritou, caiu e chegou ao socorro já em parada cardiorrespiratória irreversível. Esse quadro é muito típico de fibrilação ventricular, que é uma contração caótica do miocárdio, sem bombeamento eficaz do sangue. Ou seja: o coração até “se mexe”, mas não consegue mais cumprir sua função. Resultado prático? Colapso circulatório rápido e morte se a desfibrilação não ocorrer imediatamente. As outras hipóteses não combinam tão bem com o cenário. Hemorragia interna não é mecanismo típico de choque elétrico doméstico. Hiperaquecimento do SNC não explica a morte súbita em poucos minutos. Parada respiratória central ou periférica pode ocorrer na eletrocussão, mas, em regra, o achado mais letal e clássico nos acidentes domésticos é a fibrilação ventricular, especialmente em corrente alternada de baixa frequência. Em Medicina Legal, a doutrina clássica ensina que a eletrocussão pode causar morte por fibrilação ventricular, paralisia respiratória e lesões térmicas, mas a fibrilação ventricular é o mecanismo mais associado à morte súbita em acidentes de rede elétrica doméstica. Por isso, o gabarito é a letra E.

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