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Medicina Legal · CESPE/CEBRASPE · 2025

Questão comentada de Medicina Legal

Uma pessoa que sofreu lesão corporal dolosa alegou ter sido agredida com pauladas, socos, pontapés e tapas. A lesão mais grave dolorosa, que a incapacitava de deambular, era uma lesão na região inguinal (raiz da coxa) esquerda, provocada por chute. Durante o exame da vítima, que foi realizado mais de quatro dias após a violência, o médico-legista notou uma coleção de tonalidade azul-violácea no joelho do mesmo lado daquela lesão. O periciando referiu que neste local não havia sofrido agressão. Pelas características da formação azul-violácea descrita na situação hipotética apresentada, é correto concluir a existência de

Gabarito: B

Em Medicina Legal, a cor azul-violácea em uma lesão chama atenção para sangramento extravasado nos tecidos, em geral uma equimose. O detalhe importante aqui é que a vítima foi examinada mais de quatro dias depois da agressão, e o perito encontrou essa coloração no joelho, mas o paciente negou qualquer golpe naquele local. Isso pede uma leitura mais cuidadosa: nem toda equimose aparece exatamente onde a pancada ocorreu. Pode haver deslocamento do sangue por gravidade e planos anatômicos, fazendo a mancha surgir em área distante do ponto de impacto, especialmente em regiões mais baixas do corpo. É por isso que a banca quer que você pense em equimose profunda à distância. Trata-se de infiltração sanguínea em tecidos profundos, que pode exteriorizar-se longe do local do trauma inicial. Isso é bem diferente de uma equimose superficial, que fica no ponto atingido e costuma ser visível na pele logo abaixo da agressão. Aqui, a lesão inguinal foi a principal agressão, mas a mancha azul-violácea no joelho do mesmo lado, sem relato de golpe local, sugere sangue que migrou ou se manifestou à distância. Na prática forense, a topografia e o tempo da lesão importam muito. A coloração azul-violácea também é compatível com evolução temporal da equimose, mas o dado decisivo é a ausência de agressão direta no joelho. Em doutrina de Traumatologia Forense, equimose profunda à distância é justamente essa manifestação secundária, frequentemente enganosinha, que faz o examinando pensar: 'Ué, apanhei aqui?'. Às vezes não. O sangue só fez o trabalho dele e apareceu onde ninguém tinha batido. As demais alternativas tentam confundir você com termos de lesões traumáticas, mas a descrição fala de coleção azul-violácea sem indicar fratura, cavidade articular ou abaulamento por coleção local típica. Então, o melhor enquadramento é mesmo o de equimose profunda à distância.

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