A respeito de asfixias, que ocorrem em diversos tipos de crimes e acidentes, assinale a opção correta.
- A)A fase de esgotamento envolve o período de dispneia inspiratória, com cerca de um minuto de duração, durante o qual o asfíxico, sem perder a consciência, sorve desordenadamente, em grandes haustos, o ar.
Errada, porque a descrição da fase de esgotamento não corresponde à sequência clássica da asfixia, e a banca trocou as características das fases respiratórias.
- B)Não há sinais patognomônicos característicos nas asfixias mecânicas em geral.
Certa, porque as asfixias mecânicas em geral não apresentam sinal patognomônico exclusivo, exigindo análise do conjunto de achados.
- C)A procidência da língua é característica exclusiva no enforcamento.
Errada, porque a procidência da língua pode aparecer em outras formas de asfixia e não é característica exclusiva do enforcamento.
- D)As manchas de Tardieu são encontradas exclusivamente nas pleuras pulmonares.
Errada, porque as manchas de Tardieu não se limitam às pleuras pulmonares; elas podem ocorrer em outros locais de serosas e tecidos.
- E)As manchas de Paltauf são as petéquias encontradas frequentemente no timo dos indivíduos enforcados.
Errada, porque as manchas de Paltauf são hemorragias subpleurais associadas sobretudo ao afogamento, e não petéquias do timo em enforcados.
Gabarito: B
Em Medicina Legal, asfixia é um tema cheio de armadilhas porque o corpo responde com sinais parecidos em várias situações: sufocação, enforcamento, estrangulamento, afogamento e outras. O problema é que, em geral, esses achados não fecham o diagnóstico sozinhos. Ou seja, você vê sinais sugestivos, mas não um “carimbo” único e exclusivo da causa da morte. Por isso, a ideia central cobrada pela banca é esta: nas asfixias mecânicas em geral, não existem sinais patognomônicos. Há um conjunto de achados que orienta a investigação, como cianose, petéquias, congestão, edema e certas manchas hemorrágicas, mas tudo precisa ser interpretado no contexto do caso, do local, da cena e da necropsia completa. A alternativa B está correta justamente por isso. Na prática pericial, o diagnóstico de asfixia costuma ser construído em conjunto com os elementos externos e internos, e não por um único sinal isolado. Isso é bem alinhado com a doutrina clássica de Medicina Legal: os sinais são importantes, mas nenhum deles, em regra, é absolutamente exclusivo das asfixias mecânicas. As demais alternativas tentam transformar sinais frequentes em sinais exclusivos, e é aí que mora a pegadinha. A banca gosta muito dessa troca entre “frequente”, “típico” e “patognomônico”, então vale desconfiar sempre que aparecer a palavra “exclusivamente”.