Durante a necropsia, o técnico não deve submeter o corpo à limpeza antes de o perito médico-legista iniciar o exame, evitando retirar possíveis vestígios, como substâncias utilizadas em homicídios. A respeito das informações apresentadas e assuntos correlacionados, assinale a opção correta.
- A)No tratamento local das queimaduras químicas, a neutralização por álcali gera reação endotérmica, aumentando o risco de ocasionar queimadura adicional, além de ser um tratamento apenas superficial, não atingindo os tecidos profundos.
Errada: a neutralização química com álcali pode agravar a lesão e, na prática, não é conduta rotineira recomendada para queimaduras químicas.
- B)O ácido azótico ou nítrico provoca o aparecimento de lesões amolecidas e avermelhadas, resultante da sua ação sobre as albuminas dos tecidos mortificados.
Errada: o ácido nítrico costuma produzir lesão mais característica amarelada/esbranquiçada por coagulação proteica, e não apenas lesões amolecidas e avermelhadas.
- C)O ácido clorídrico e o ácido acético provocam o aparecimento de escaras secas e enegrecidas, devido à decomposição do sangue em hematina e à intensa desidratação dos tecidos atingidos.
Errada: ácido clorídrico e ácido acético não geram essa descrição típica de escara seca e enegrecida; a formulação mistura mecanismos e características de outros agentes.
- D)As queimaduras químicas tendem a ser superficiais.
Errada: queimaduras químicas não são necessariamente superficiais, pois a profundidade depende do agente, da concentração e do tempo de contato.
- E)Quando as queimaduras químicas comprometem áreas nobres, como a face e as extremidades, ou o tórax, a primeira medida recomendada ao tratamento local consiste em despir rapidamente o ofendido e submetê-lo à lavagem imediata com grande volume de água, por várias horas.
Certa: a conduta inicial é retirar rapidamente as roupas contaminadas e irrigar com grande volume de água por tempo prolongado.
Gabarito: E
As queimaduras químicas exigem uma conduta imediata e bem prática: primeiro, você interrompe o contato com o agente, retirando roupas e objetos contaminados, e depois faz irrigação abundante com água em grande volume. A lógica aqui é simples, quase sem poesia: tirar o produto da pele o mais rápido possível e diluí-lo para reduzir a agressão tecidual. Na medicina legal, isso importa muito porque o agente químico pode continuar agindo mesmo depois da exposição inicial. Por isso, na necropsia ou no atendimento, a limpeza indiscriminada antes da análise pericial não é uma boa ideia, já que pode apagar vestígios relevantes. No plano terapêutico, porém, quando há vítima viva, a prioridade é descontaminar rapidamente. A alternativa E está correta porque descreve exatamente a primeira medida recomendada no tratamento local: despir rapidamente a vítima e lavar imediatamente com grande volume de água, por tempo prolongado, especialmente quando a lesão atinge áreas nobres como face, extremidades ou tórax. Isso está em linha com a doutrina de primeiros socorros e toxicologia/medicina legal, que prioriza remoção do agente e irrigação copiosa. O restante das alternativas mistura fatos verdadeiros com detalhes errados sobre ácidos e bases, ou generaliza de forma indevida. Em prova CESPE, esse tipo de pegadinha é clássico: a banca troca o raciocínio correto do manejo inicial por teorias químicas específicas ou afirmações exageradas.