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Medicina Legal · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Medicina Legal

Um perito criminal compareceu a um local de morte cujas circunstâncias não se encontravam evidenciadas. Tratava-se de um cadáver do sexo feminino, em uma banheira cheia d’água, em banheiro equipado com aquecedor a gás. Nessa situação hipotética, ante a possibilidade de morte por asfixia por monóxido de carbono, o perito, durante o exame perinecroscópico, deverá dedicar especial atenção aos livores de hipóstase, que, em casos tais, terão a tonalidade

Gabarito: A

Na tanatologia forense, os livores de hipóstase ajudam muito na suspeita da causa da morte, porque refletem a cor do sangue que se acumula nas partes declives do corpo após o óbito. Em mortes por asfixias em geral, a coloração costuma variar conforme o mecanismo, e isso pode ser um ótimo detalhe para orientar o perito logo no exame perinecroscópico. Quando a hipótese é intoxicação por monóxido de carbono, o ponto clássico é a cor vermelho vivo, também chamada de vermelho carminado. Isso acontece porque o CO se liga à hemoglobina com enorme afinidade, formando carboxi-hemoglobina, que dá ao sangue e aos livores esse aspecto característico. É aquele achado que faz o perito pensar: "tem algo muito errado com essa morte". Por isso, diante de um cadáver encontrado em banheiro com aquecedor a gás, a atenção aos livores é essencial, porque a combinação do cenário com a tonalidade carmim dos livores reforça a suspeita de asfixia por monóxido de carbono. Esse é um clássico de Medicina Legal e costuma aparecer em prova exatamente para testar se você associa o ambiente fechado e o aquecedor ao CO. Assim, o gabarito é a alternativa A, porque os livores de hipóstase em intoxicação por monóxido de carbono apresentam tonalidade vermelho acarminado, achado tradicionalmente descrito pela doutrina médico-legal.

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