Entre os fenômenos cadavéricos, aquele que pode atingir o feto morto retido do quinto ao nono mês de gravidez no útero materno é chamado de
- A)mumificação.
Errada, porque mumificação é a desidratação do cadáver em ambiente seco, e não o processo úmido do feto retido no útero.
- B)saponificação.
Errada, porque saponificação ocorre em meio úmido e gorduroso, com formação de adipocera, mas não é o fenômeno clássico do feto intrauterino.
- C)corificação.
Errada, porque corificação é a conservação com aspecto coriáceo, em geral relacionada a ambientes fechados e secos.
- D)litopédio.
Errada, porque litopédio é a calcificação de feto morto extrauterino, geralmente abdominal, e não a retenção intrauterina.
- E)maceração.
Certa, porque maceração é o fenômeno que acomete o feto morto retido no útero por tempo prolongado, com autólise e amolecimento dos tecidos.
Gabarito: E
Entre os fenômenos cadavéricos, alguns aparecem fora do corpo e outros dependem de condições bem específicas no interior dele. No caso do feto morto que permanece retido no útero materno por um período prolongado, especialmente entre o quinto e o nono mês de gestação, o fenômeno típico é a maceração. Isso ocorre porque o ambiente úmido intrauterino favorece a autólise e a ação bacteriana, levando à perda de coesão dos tecidos do feto. Na prática, o feto fica com aspecto amolecido, descolamento da pele e alteração progressiva dos tecidos, sem a lógica da desidratação que você veria em outros processos cadavéricos. Em Medicina Legal, a maceração é associada justamente ao feto retido no útero, e essa é a pista clássica cobrada em prova. A banca gosta de misturar fenômenos parecidos só para testar se você sabe o ambiente em que eles ocorrem. Aqui, o detalhe decisivo é o meio líquido e intrauterino, que conduz à maceração, e não a processos como mumificação ou saponificação, que têm outra lógica de conservação do cadáver. Doutrinariamente, essa é a descrição padrão dos tratados de Tanatologia Forense, sem uma regra legal específica para o tema.