Na literatura médico-legal, tolerância é
- A)a necessidade de doses cada vez maiores da substância que o indivíduo utiliza.
Correta, porque tolerância é a necessidade de doses cada vez maiores da substância para produzir o mesmo efeito.
- B)uma interação que existe entre o metabolismo orgânico do viciado e o consumo de certa droga.
Errada, porque descreve de forma imprecisa uma adaptação metabólica, mas isso não é a definição de tolerância na literatura médico-legal.
- C)uma síndrome caracterizada por tremores e náuseas.
Errada, porque tremores e náuseas são sintomas de abstinência ou intoxicação, não de tolerância.
- D)uma síndrome caracterizada por sintomas resultantes de lesões por minúsculos focos hemorrágicos dos nervos cranianos.
Errada, porque essa descrição se relaciona a lesões neurológicas específicas, sem vínculo com o conceito de tolerância.
- E)uma síndrome caracterizada por um quadro clínico de amnésia e desorientação.
Errada, porque amnésia e desorientação caracterizam um quadro psiquiátrico/neurológico, não tolerância.
Gabarito: A
Na toxicologia forense, tolerância é a diminuição da resposta do organismo a uma substância com o uso repetido, fazendo com que a pessoa precise de doses progressivamente maiores para obter o mesmo efeito. Em outras palavras, o corpo vai “se acostumando” com a droga, e aquela quantidade que antes fazia efeito já não resolve mais. Isso é muito cobrado em concursos porque costuma ser confundido com dependência, abstinência e intoxicação, que são coisas diferentes. A dependência é o vínculo físico e/ou psíquico com a substância; a abstinência é o conjunto de sintomas quando a droga é interrompida ou reduzida. Já tolerância fala justamente da necessidade de aumentar a dose para manter o mesmo efeito. É um conceito clássico de doutrina médico-legal, sem um artigo legal específico, mas amplamente aceito na literatura especializada. Por isso, o gabarito é a alternativa A: ela descreve exatamente a definição de tolerância. A banca gosta muito dessa ideia de “dose cada vez maior”, porque ela sintetiza bem o fenômeno biológico sem confundir com outras síndromes toxicológicas. As demais alternativas trazem quadros clínicos ou mecanismos que não definem tolerância. Então, se aparecer uma questão parecida, pense primeiro: a substância perdeu efeito ou o paciente precisa de mais para sentir o mesmo? Se for isso, é tolerância.