Na avaliação pericial, ocorrem situações em que o periciado pode simular doenças. A respeito da simulação, assinale a opção correta.
- A)Em situação em que haja acentuada discrepância entre o sofrimento apontado pelo paciente e os achados objetivos, falta de cooperação durante a avaliação e presença de um transtorno de personalidade, deve-se suspeitar de simulação.
Correta: discrepância entre queixa e exame, má cooperação e traços de personalidade podem levantar suspeita de simulação na perícia.
- B)A simulação é o resultado de uma decisão com motivação consciente em certo momento da vida, sendo classificada, nos manuais diagnósticos, como um transtorno mental.
Errada: a simulação é consciente e voltada a ganho externo, mas não é classificada como transtorno mental nos manuais diagnósticos.
- C)A presença de exageros acentuados de sintomas já existentes não configura quadro de simulação.
Errada: exagerar sintomas já existentes é uma forma clássica de simulação, não um elemento que a exclua.
- D)Entre as condições psiquiátricas mais simuladas estão os transtornos pelo uso de substâncias, o transtorno obsessivo compulsivo e os transtornos de personalidade.
Errada: esses transtornos não estão entre os mais tipicamente simulados; a afirmação generaliza e foge do padrão clássico da literatura.
- E)A comunicação de ideação suicida é forte indício de que o indivíduo não seja um simulador.
Errada: ideação suicida pode ser simulada, então sua presença isolada não afasta a possibilidade de simulação.
Gabarito: A
Na Psiquiatria Forense, voce precisa diferenciar dois vizinhos que vivem sendo confundidos: simulação e transtorno mental verdadeiro. A simulação é a produção intencional de sintomas, com finalidade externa clara, como evitar punição, obter benefício previdenciário ou escapar de responsabilidade. Ou seja: há escolha consciente, e não um transtorno psiquiátrico em si. Isso aparece nos manuais diagnósticos como uma condição que pode ser objeto de atenção clínica, mas não como transtorno mental propriamente dito. Na perícia, a suspeita aumenta quando existe grande diferença entre o sofrimento relatado e os achados objetivos, quando o examinado coopera mal e quando há inconsistências no relato. Esses sinais não fecham diagnóstico sozinhos, mas acendem a luz amarela do perito. Em especial, o conjunto de exagero, incoerência e resistência ao exame é bem típico de simulação ou, em termos clássicos, malingering. Por isso o item A está correto: ele descreve exatamente um cenário pericial que deve levantar suspeita de simulação. Já o erro mais comum da prova é misturar simulação com transtorno de personalidade ou com exagero de sintomas como se tudo fosse a mesma coisa. Não é. Exagerar sintomas pode ocorrer na simulação, mas a simples presença de personalidade patológica não autoriza concluir isso automaticamente. Em concursos, guarde a ideia central: simulação = produção consciente de sintomas para vantagem externa. Não confunda com transtorno factício, em que também há produção intencional, mas a motivação é interna, ligada ao papel de doente, sem o ganho externo típico.