Um casal de jovens foi encontrado sem vida em cômodo doméstico (banheiro), confinado (com pouca ventilação). Na necropsia, evidenciaram-se, em ambos, a pele e face rosadas, vísceras de cor de cereja, livores carminados, sangue fluido e róseo. A partir dos achados descritos nessa situação hipotética, é correto afirmar que o tipo de agente químico, a via de exposição e o biomarcador a ser investigado pelo exame complementar são, respectivamente,
- A)cocaína, via inalatória e benzoilecgonina e cocaetileno.
Errada, porque cocaína não explica o padrão clássico de pele rosada e vísceras cor de cereja, e os biomarcadores citados não são os mais compatíveis com esse quadro forense.
- B)parationa metílica, via dérmica e oxon análogo (metilparaoxon).
Errada, porque parationa metílica é um organofosforado e o quadro esperado é colinérgico, não esse aspecto róseo típico de intoxicação por gás em ambiente confinado.
- C)monóxido de carbono, via inalatória e carboxi-hemoglobina (CO-Hb).
Certa, porque monóxido de carbono é inalado, forma carboxi-hemoglobina e produz livores carminados, sangue róseo e vísceras em cor de cereja.
- D)chumbo, via oral e ácido delta amino levulínico (ALA-D).
Errada, porque chumbo tem relação com intoxicação crônica e alterações hematológicas, não com o padrão agudo descrito na necropsia.
- E)benzeno, via inalatória e ácido hipúrico ou fenilmercaptúrico.
Errada, porque benzeno é tóxico principalmente por inalação, mas não gera esse achado cadavérico clássico nem tem como biomarcador principal o ácido hipúrico ou fenilmercaptúrico nesse contexto.
Gabarito: C
A cena descreve um quadro bem clássico de intoxicação por monóxido de carbono: ambiente fechado, pouca ventilação e achados cadavéricos com coloração rosada ou vermelho-cereja. Isso acontece porque o CO se liga com alta afinidade à hemoglobina, formando carboxi-hemoglobina, que impede o transporte adequado de oxigênio e ainda dá essa aparência típica aos livores, à pele e até às vísceras. Em medicina legal, esse conjunto de sinais é quase um "cartão de visita" da intoxicação por CO, especialmente quando há suspeita em local confinado, como banheiro, garagem ou ambiente com aquecedor/fonte de combustão. O ponto central da questão é associar o agente químico à via de exposição e ao biomarcador correto. O monóxido de carbono entra principalmente pela via inalatória, porque é um gás que é respirado e rapidamente difunde-se nos alvéolos. O exame complementar mais útil é a dosagem de carboxi-hemoglobina (CO-Hb), que confirma a exposição e ajuda a correlacionar com a causa da morte. É um tema muito cobrado porque a banca gosta de misturar sinais cadavéricos típicos com substâncias parecidas, mas de mecanismos completamente diferentes. Em termos doutrinários, a tanatologia forense ensina que certas colorações de livores podem apontar para intoxicações específicas, e a cor "cereja" é tradicionalmente associada ao CO. Não é um achado absolutamente exclusivo, mas é altamente sugestivo no contexto certo. Por isso, a alternativa C está correta: monóxido de carbono, via inalatória e carboxi-hemoglobina. Resumo prático para prova: ambiente fechado + pele rosada/vermelho-cereja + sangue fluido e róseo = pense em monóxido de carbono antes de sair chutando veneno agrícola ou metal pesado.