Damião, motivado por ciúmes em decorrência do novo relacionamento de Juliana (sua ex-companheira), arremessou uma solução de ácido sulfúrico em direção ao rosto desta, com o objetivo de causar extensas lesões e abalo psicológico, o que de fato foi alcançado. No mesmo dia, Juliana procurou a Delegacia de Polícia de Ji-Paraná, para registrar a ocorrência e realizou exame de corpo de delito, que comprovou que seu ex-companheiro utilizara ácido no ato. Com base nessas informações, o delegado de polícia responsável pela investigação pode afirmar que houve
- A)ação de base hidratante que provoca necrose de coagulação, deixando escaras amareladas endurecidas.
Errada, porque base hidratante e escaras amareladas endurecidas não descrevem o efeito típico dos ácidos, que causam necrose de coagulação.
- B)vitriolagem, caracterizada pela ação do “óleo de vitríolo”, também conhecido como “água régia”.
Errada, porque “óleo de vitríolo” remete ao ácido sulfúrico, não à água régia, que é outra mistura ácida usada para dissolver metais.
- C)ação de substância alcalina, que provoca reação exotérmica.
Errada, porque substância alcalina é base, e o caso fala em ácido sulfúrico; além disso, a reação exotérmica não é a característica central cobrada aqui.
- D)ação de substância ácida que produz escaras moles e hidratadas, em virtude da sua composição química.
Errada, porque substância ácida não produz escaras moles e hidratadas, mas lesões mais secas e endurecidas por necrose de coagulação.
- E)vitriolagem, caracterizada pela ação de ácido desidratante que provoca necrose de coagulação.
Certa, porque a vitriolagem é a agressão por ácido desidratante, como o ácido sulfúrico, que produz necrose de coagulação.
Gabarito: E
Aqui a banca cobra um clássico de toxicologia forense: a vitriolagem, que é a agressão por substância cáustica, especialmente ácida, lançada contra a vítima. O nome vem do antigo “óleo de vitríolo”, expressão ligada ao ácido sulfúrico, um agente desidratante e fortemente corrosivo. No corpo, os ácidos costumam provocar necrose de coagulação, com formação de escaras secas e endurecidas, em vez de lesões úmidas e moles. Isso acontece porque o ácido “queima” e desidrata os tecidos, coagula proteínas e cria uma crosta mais firme na área atingida. No caso narrado, o dado-chave é justamente o uso de ácido sulfúrico no rosto de Juliana. Isso encaixa perfeitamente na ideia de vitriolagem, termo tradicional usado na Medicina Legal para esse tipo de agressão química com finalidade de deformar, mutilar ou causar grave lesão. Por isso o gabarito é a letra E. A alternativa descreve corretamente a ação de ácido desidratante e a necrose de coagulação, que é a marca típica desse quadro.