Cada cultura é dotada de um “estilo” particular que se exprime através da língua, das crenças, dos costumes, da arte — mas não apenas desta maneira. Esse estilo, esse “espírito” próprio a cada cultura influi sobre o comportamento dos indivíduos. Denys Cuche. A noção de cultura nas ciências sociais. 2.ª ed. Bauru: EUDSC, 2002 (com adaptações). Considerando as ideias do fragmento de texto precedente e o impacto das relações entre língua, cultura e sociedade sobre o ensino do inglês, assinale a opção correta.
- A)Não é necessário pensar em aspectos culturais quando se ensina língua inglesa na escola.
Errada, porque o ensino de língua estrangeira não pode ignorar a dimensão cultural, já que língua e cultura se relacionam diretamente.
- B)O ensino do inglês deve ser compreendido como uma busca pelo alcance das características linguísticas e culturais dos falantes nativos da língua.
Errada, porque restringe o ensino ao ideal de alcançar características de falantes nativos, o que não corresponde à visão de inglês como língua de uso global.
- C)A cultura é importante em uma sala de aula de língua inglesa, mas apenas a cultura dos Estados Unidos da América (EUA) e da Inglaterra, uma vez que estes são países em que o inglês é o idioma materno.
Errada, porque limita a cultura relevante ao ensino aos EUA e à Inglaterra, quando o inglês circula em múltiplos contextos e culturas.
- D)O entendimento do inglês como língua franca favorece uma educação linguística voltada para a interculturalidade, isto é, para o reconhecimento e o respeito das diferenças e para a compreensão de como elas são produzidas nas diversas práticas sociais de linguagem.
Certa, porque o inglês como língua franca favorece uma abordagem intercultural, com respeito às diferenças e compreensão das práticas sociais de linguagem.
- E)Ensinar inglês é aproximar os estudantes das questões culturais dos países hegemônicos falantes desse idioma, em detrimento da própria cultura.
Errada, porque contrapõe a cultura dos países hegemônicos à cultura dos próprios alunos, quando o ensino deve promover diálogo intercultural, não substituição cultural.
Gabarito: D
Quando você estuda ensino de língua inglesa, não basta olhar só para gramática e vocabulário como se a língua morasse sozinha numa ilha. Língua, cultura e sociedade andam juntas: toda língua carrega valores, modos de agir, visões de mundo e práticas sociais. Por isso, ensinar inglês hoje não é apenas treinar estruturas, mas também preparar o aluno para interagir com pessoas de diferentes contextos culturais. Nesse ponto, a ideia de inglês como língua franca ajuda bastante. Em vez de tratar o inglês só como a língua de alguns países “donos” do idioma, você passa a enxergá-lo como um meio de comunicação entre falantes de origens diversas. Isso combina com uma educação linguística intercultural, que valoriza o respeito às diferenças, o diálogo entre culturas e a compreensão de que os sentidos são produzidos nas práticas sociais. É exatamente por isso que a letra D está correta: ela conecta o ensino do inglês à interculturalidade, isto é, à capacidade de reconhecer diferenças culturais sem transformar uma cultura em modelo único. Em termos pedagógicos, isso conversa com abordagens críticas e interculturais do ensino de línguas, bem mais atuais do que a ideia de copiar o falante nativo. As demais alternativas caem em armadilhas clássicas: ou ignoram a cultura, ou reduzem o inglês a países hegemônicos, ou tratam o falante nativo como referência absoluta. E, sinceramente, isso já ficou velho no ensino de línguas.