A gestão de riscos é sempre baseada em princípios orientadores que, no caso da administração pública brasileira, são definidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo esses princípios, o TCU define como fundamental que as organizações, ao realizarem algo que nunca foi feito antes, devam identificar, avaliar e tratar riscos para documentar o processo e aumentar as chances de sucesso. O exposto pode ser sintetizado na máxima de que a gestão de risco deve:
- A)ser aplicada contínua e integradamente aos processos de trabalho;
Está correta como princípio geral, mas não resume a ideia do enunciado, que enfatiza inovação responsável diante do desconhecido.
- B)considerar a importância dos fatores humanos e culturais;
Também é um princípio válido, porém fala de valores comportamentais e não da máxima descrita no caso apresentado.
- C)fomentar inovação e ação empreendedora responsáveis;
Correta, porque a gestão de riscos deve permitir inovação e empreendedorismo com identificação, avaliação, tratamento e registro dos riscos.
- D)ser dirigida, apoiada e monitorada pela alta administração;
É um princípio importante de governança, mas não corresponde ao sentido específico pedido pela questão.
- E)ser implantada em ciclos de revisão e melhoria contínua.
Refere-se à melhoria contínua da gestão de riscos, mas não à ideia de inovar com responsabilidade em algo nunca feito antes.
Gabarito: C
A questão mistura gestão de riscos com a visão do TCU sobre risco no setor público. A ideia central é simples: quando a organização vai fazer algo novo, ela não pode agir no improviso. Precisa identificar os riscos, avaliá-los, tratá-los e registrar o caminho, porque isso aumenta a chance de dar certo e reduz o famoso “vamos ver no que dá”. No referencial do TCU, a gestão de riscos não serve para travar a inovação. Pelo contrário: ela existe para permitir decisões mais seguras, inclusive quando a administração quer inovar ou empreender. Ou seja, risco bem gerido não é inimigo da novidade, é o que torna a novidade viável. Por isso, o enunciado aponta para a máxima de que a gestão de risco deve fomentar inovação e ação empreendedora responsáveis. É exatamente essa a lógica: fazer algo novo, mas com método, documentação e controle, em vez de apostar tudo na sorte. As demais alternativas trazem princípios reais da gestão de riscos, mas não traduzem a ideia destacada no texto. A banca quer que você perceba a relação entre risco e inovação responsável, que é muito cara ao TCU em temas de governança e controle.