Quais das afirmações a seguir são recomendações válidas para a avaliação fisioterapêutica na modalidade de telerreabilitação (tanto dos sintomas nas desordens dos músculos do assoalho pélvico quanto da função dos músculos do assoalho pélvico)? (A guide to physiotherapy in urogynecology for patientcare during the COVID-19 pandemic. International Urogynecology Journal (2021) 32:203–210. DOI: 0.1007/s00192-020-04542-8) (1) A anamnese deve ser feita com foco em obter o maior número possível de detalhes sobre a funcionalidade do assoalho pélvico por meio do diário miccional e de questionários que avaliem a gravidade dos sintomas do assoalho pélvico e o impacto na qualidade de vida. (2) O uso de aplicativos para relatar o diário de micção podem ser recomendados para mulheres que estão dispostas a usá-los. A qualidade dos aplicativos deve ser considerada na hora de escolhê-los, bem como a tradução e validação para os idiomas a serem utilizados. (3) Tentativas de orientar a avaliação remota completa e precisa dos músculos do assoalho pélvico na prática clínica devem ser evitadas devido à falta de evidências (até o presente momento) e à impossibilidade de avaliar o tônus, a força e a resistência do assoalho pélvico sem um exame interno. (4) É importante não solicitar imagens e vídeos envolvendo a exposição do corpo de mulheres para avaliação remota síncrona ou assíncrona. (5) As informações sobre a capacidade das mulheres de contrair seus músculos do assoalho pélvico podem ser investigadas usando métodos alternativos, como o teste de parada. Pode ser explicado às mulheres e utilizado com cautela como forma de autoavaliação de sua capacidade de contração dos músculos do assoalho pélvico. (6) O teste de parada não deve ser usado rotineiramente para realizar o treinamento muscular do assoalho pélvico. (7) Instruções para a autopalpação podem ser dadas às mulheres que culturalmente a aceitam, devendo ser orientadas a realizá-la em ambiente privado e que deve ser evitada durante videochamadas em tempo real.
- A)Nenhuma das afirmações se aplica e elas não são recomendadas, já que não há evidências para a telerreabilitação.
Errada, porque a telerreabilitação é possível e há recomendações específicas para avaliação remota, inclusive com instrumentos clínicos e cuidados de privacidade.
- B)Apenas as recomendações 1 e 4 são válidas.
Errada, porque as afirmações 2, 3, 5, 6 e 7 também são recomendações válidas no contexto remoto.
- C)Apenas as recomendações 1, 3 e 7 são válidas
Errada, porque não são apenas essas três: as demais também aparecem como condutas recomendadas no guia.
- D)Embora a reabilitação possa acontecer de forma remota, a avaliação não é recomendada. Consequentemente, nenhuma das afirmações são recomendações válidas para o ambiente remoto.
Errada, porque a avaliação remota é recomendada dentro de limites e com adaptações, não é proibida de forma geral.
- E)Todas as afirmações são recomendações válidas.
Certa, porque todas as afirmações descritas estão alinhadas com as recomendações do guia para avaliação fisioterapêutica em telerreabilitação.
Gabarito: E
A telerreabilitação em uroginecologia e assoalho pélvico ganhou espaço, principalmente depois da pandemia, e a lógica é simples: se o exame interno não pode ser feito à distância, a avaliação precisa se apoiar em anamnese bem feita, instrumentos validados e estratégias seguras de autoavaliação. Por isso, o diário miccional, os questionários de sintomas e de qualidade de vida, e até aplicativos bem escolhidos, entram como ferramentas úteis e recomendadas quando a mulher aceita usá-los. Na prática, a avaliação remota não substitui tudo o que o atendimento presencial faz, mas pode organizar muito bem a investigação clínica. O artigo citado orienta que a fisioterapeuta tenha cuidado com a qualidade, a tradução e a validação dos aplicativos, e também com a privacidade: não se deve pedir imagens ou vídeos com exposição corporal para essa finalidade, porque isso traz risco ético, de conforto e de segurança. Outro ponto importante é que a capacidade de contração dos músculos do assoalho pélvico pode ser investigada por métodos alternativos, como o teste de parada, sempre com cautela e como recurso de autoavaliação, não como substituto perfeito do exame físico. O mesmo vale para a autopalpação: ela pode ser ensinada quando culturalmente aceita, em ambiente privado, mas não deve ser estimulada durante videochamadas em tempo real. Assim, todas as afirmações listadas refletem recomendações compatíveis com a abordagem descrita no guia da International Urogynecology Journal (2021). Em resumo: a telerreabilitação não é um improviso sem regra, e sim um atendimento remoto com limites bem definidos e ferramentas específicas, o que justifica o gabarito E.