Segundo as Diretrizes Práticas de Reabilitação Pulmonar da Associação Americana de Reabilitação Cardiovascular e Pulmonar, em caso de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o treinamento muscular inspiratório deve ser considerado:
- A)somente nos pacientes com pressão inspiratória máxima ≤ -60cmH2O
Errada: a indicação não é baseada apenas em um corte rígido de pressão inspiratória máxima, mas na presença de fraqueza inspiratória e sintomas.
- B)em pacientes que apresentem diminuição da força muscular inspiratória e falta de ar
Certa: o treinamento muscular inspiratório é indicado quando há redução da força muscular inspiratória associada à dispneia.
- C)somente nos pacientes em reabilitação pulmonar de rotina, independente da gravidade da doença
Errada: não é um procedimento obrigatório para todos os pacientes em reabilitação pulmonar, independentemente da gravidade.
- D)em pacientes com força muscular inspiratória preservada ou reduzida, mas que apresentem dispneia
Errada: força inspiratória preservada não sustenta a indicação clássica do treinamento; a presença de dispneia sozinha não basta.
Gabarito: B
Na DPOC, o treinamento muscular inspiratório não é para todo mundo de forma automática, como se fosse um carimbo de "faça para todos". As Diretrizes Práticas de Reabilitação Pulmonar da Associação Americana de Reabilitação Cardiovascular e Pulmonar indicam esse recurso principalmente quando há fraqueza da musculatura inspiratória e queixa de dispneia, porque aí o músculo inspiratório está realmente pedindo socorro. A lógica é simples: se o diafragma e os músculos acessórios estão trabalhando mal, o esforço para inspirar aumenta e a falta de ar aparece mais cedo. Nesses casos, o treinamento pode melhorar força inspiratória, tolerância ao esforço e sintoma de falta de ar. Ou seja, ele faz mais sentido quando existe limitação funcional relacionada à musculatura inspiratória. Por isso o gabarito é a letra B. Ela traduz bem a indicação prática: paciente com diminuição da força muscular inspiratória e falta de ar. Não basta olhar um número isolado de pressão inspiratória máxima como se ele resolvesse toda a história clínica. Em prova, a banca gosta de cobrar a ideia de indicação seletiva, e não indiscriminada. Em resumo: na DPOC, o treinamento muscular inspiratório entra quando há fraqueza inspiratória associada a dispneia, especialmente dentro de um programa de reabilitação pulmonar bem montado.