Em relação ao tratamento fisioterapêutico na esclerose múltipla, é INCORRETO afirmar que:
- A)Na fase remissiva, os exercícios ativos serão mais intensos, mas sempre intercalados por pausas de recuperação, de modo que não ocorra a fadiga nem o aumento da temperatura corpórea, sendo estes fatores que colaboram para o aparecimento de novos surtos.
Errada, porque a fase remissiva permite progressão de exercícios, mas fadiga e aumento de temperatura não são apresentados corretamente como causas diretas de novos surtos.
- B)Na fase aguda da doença, os exercícios deverão ser mais passivos, as pausas de recuperação mais longas, com exercícios para manter as amplitudes de movimento e evitar complicações secundárias, como as respiratórias, conforme a evolução.
Certa, pois na fase aguda a conduta tende a ser mais conservadora, com exercícios suaves/passivos, pausas maiores e prevenção de complicações.
- C)Para manejar a espasticidade e manter a mobilidade articular, o fisioterapeuta deverá considerar a dominância de reflexos, hipotonicidade e movimentos normais. A utilização de gelo (crioterapia) é eficaz para reduzir a espasticidade, pois diminui diretamente o disparo dos fusos musculares e retarda ou bloqueia a condução dos impulsos nos nervos e músculos.
Certa, porque a crioterapia pode reduzir espasticidade e a descrição dos efeitos fisiológicos está compatível com a prática fisioterapêutica.
- D)Para avaliar a incapacidade neurológica do paciente com esclerose múltipla, a escala mais utilizada é a escala do estado de incapacidade de Kurtzke, escala expandida do estado de disfunção (EDSS).
Certa, já que a EDSS de Kurtzke é a escala clássica e mais utilizada para medir incapacidade na esclerose múltipla.
Gabarito: A
Na esclerose múltipla, a fisioterapia precisa acompanhar a fase da doença e o estado clínico do paciente. Em fases de surto ou agudização, a prioridade costuma ser preservar função com exercícios mais leves, amplitudes de movimento, prevenção de encurtamentos e cuidado com fadiga e sobrecarga. Já em fases mais estáveis ou remissivas, dá para avançar com exercícios ativos, sempre com controle de esforço e pausas, porque o paciente costuma tolerar melhor a atividade. Um ponto clássico é que o calor excessivo pode piorar temporariamente os sintomas, fenômeno conhecido como labilidade à temperatura, então a orientação é evitar aumento de temperatura corporal durante o exercício. Isso ajuda a não provocar piora transitória da condução nervosa e da performance funcional. Nada de transformar a sessão em sauna fitness. A alternativa A está incorreta porque afirma que, na fase remissiva, os exercícios ativos serão mais intensos, mas sempre sem ocorrer fadiga nem aumento da temperatura corpórea, associando esses fatores ao aparecimento de novos surtos. O problema é que fadiga e calor podem piorar sintomas e desempenho, mas não são considerados, de forma simplista, gatilhos diretos e obrigatórios de novos surtos. A lógica fisioterapêutica é controlar intensidade, pausas e temperatura para evitar piora clínica, não afirmar causalidade direta desse jeito. As demais alternativas seguem a linha esperada: na fase aguda, condutas mais passivas e preventivas; para espasticidade, uso de recursos como crioterapia pode ajudar; e a EDSS de Kurtzke é de fato a escala mais usada para graduar incapacidade na esclerose múltipla.