A adoção de posição prona deve ser empregada nos pacientes com COVID-19, pois a principal causa de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) de pacientes suspeitos e / ou confirmados para COVID-19 é a insuficiência respiratória aguda hipoxêmica. Em relação à posição prona, é correto afirmar:
- A)A duração da posição prona deve ser de 48-72 horas ininterruptas, com maior benefício quanto maior for o grau de colapso posterobasal do parênquima pulmonar.
Errada, porque a duração da posição prona não é obrigatoriamente de 48 a 72 horas ininterruptas para todos os pacientes.
- B)Durante a posição prona, deve-se fazer a colocação de proteção adequada nos pontos de maior pressão cutânea e alternar a posição dos braços do paciente a cada duas horas.
Certa, pois durante a pronação devem ser protegidos os pontos de pressão e os braços devem ser alternados periodicamente para prevenir lesões e compressões nervosas.
- C)A gasometria arterial deve ser realizada antes da colocação do paciente em posição prona, com avaliação da presença de resposta com nova gasometria em 10 horas após adoção dessa posição.
Errada, porque a resposta à pronação deve ser monitorada bem antes de 10 horas, e não apenas com gasometria tardia.
- D)Se o paciente consegue permanecer em posição supina, mantendo relação PaO2 /FiO2 60%, e PEEP ≤ 15, considera-se a interrupção das sessões de posição prona.
Errada, porque os critérios de suspensão da pronação dependem de melhora clínica e respiratória sustentada, não apenas de tolerar a posição supina com esses parâmetros.
Gabarito: B
A posição prona virou uma das estratégias mais cobradas na assistência ao paciente com COVID-19 grave, sobretudo quando há insuficiência respiratória hipoxêmica e quadro compatível com SDRA. A lógica é simples: ao virar o paciente de barriga para baixo, você melhora a relação ventilação-perfusão, recruta áreas dorsais do pulmão e costuma ganhar oxigenação sem precisar “apertar” tanto o suporte ventilatório. Não é magia, é fisiologia bem usada a favor do paciente. Na prática, a prona deve ser feita com cuidado de UTI: proteção dos pontos de pressão, vigilância contínua de dispositivos, olhos, face e genitais, e mudança periódica da posição dos membros superiores para evitar lesão por pressão e neuropraxia. Esse é o ponto central da alternativa B, que está correta ao lembrar a necessidade de proteção cutânea e alternância dos braços a cada duas horas, reduzindo complicações da manobra. As demais alternativas erram detalhes importantes. A duração da prona não é um bloco fixo e ininterrupto de 48 a 72 horas para todo mundo, porque a indicação e o tempo dependem da resposta clínica e dos protocolos assistenciais. Também não se faz a reavaliação gasométrica só depois de 10 horas, pois a resposta costuma ser monitorada muito antes, com acompanhamento clínico e ventilatório mais próximo. Por fim, não se interrompe a prona apenas porque o paciente tolera decúbito dorsal com PaO2/FiO2 baixo e parâmetros altos de suporte; a suspensão depende de melhora sustentada da oxigenação e da estabilidade clínica. Em outras palavras: pronação é técnica séria, mas a banca gosta de cobrar o detalhe prático que evita complicação, e aí a B acerta em cheio.