A fisioterapia respiratória em crianças tem algumas especificações principalmente quando se trata de aspiração de vias aéreas. Abaixo alguns cuidados importantes são observados: I. A posição da cabeça deve ser com a face voltada no sentido oposto do brônquio-fonte a ser aspirado, deprimindo-se o ombro do mesmo lado. II. A sonda a ser utilizada deve ser menor do que a metade do diâmetro da traqueia. III. Para diminuir os efeitos da hipóxia e da estimulação vagal pela aspiração, é indicada a hiperventilação e a hiperoxigenação. IV. A duração deve ser curta, em média 15 segundos. Quais estão corretos?
- A)Apenas II e III.
Esta alternativa considera apenas as medidas de usar uma sonda pequena e de oferecer hiperventilação/hiperoxigenação antes da aspiração. Essas orientações realmente fazem parte da técnica pediátrica, porque a sonda deve ocupar menos da metade do diâmetro traqueal e a pré-oxigenação reduz dessaturação e resposta vagal. O erro está em deixar de fora o posicionamento da cabeça e o tempo curto do procedimento, que também são cuidados recomendados.
- B)Apenas III e IV.
Aqui se afirmam somente a redução da hipóxia por hiperventilação/hiperoxigenação e a execução breve da aspiração, em torno de 15 segundos. Isso está de acordo com a prática clínica, pois a aspiração deve ser rápida para não provocar queda de saturação nem estímulo vagal excessivo. Ainda assim, a combinação está incompleta, porque também são corretos o posicionamento corporal e o uso de sonda de calibre adequado.
- C)Apenas I, II e IV.
Esta opção reúne o posicionamento da cabeça com a face voltada para o lado oposto ao brônquio-alvo, a depressão do ombro do mesmo lado, o uso de sonda menor que a metade do diâmetro da traqueia e a limitação do tempo da aspiração. Esses três cuidados são clássicos na aspiração de vias aéreas em crianças, pois melhoram o acesso ao brônquio, evitam obstrução excessiva da via aérea e reduzem hipoxemia. O problema é excluir a orientação de hiperventilação e hiperoxigenação, que também integra o protocolo.
- D)Apenas I, III e IV.
Aqui se afirmam o posicionamento da cabeça e do ombro, a hiperventilação/hiperoxigenação e a curta duração do procedimento. Esses pontos fazem sentido na fisioterapia respiratória pediátrica, porque ajudam a alinhar a via aérea, a prevenir queda de oxigênio e a reduzir o tempo de estímulo sobre a criança. Contudo, a alternativa omite o critério do calibre da sonda, que é fundamental para evitar obstrução importante da traqueia e trauma.
- E)I, II, III e IV.
Esta alternativa reúne todos os cuidados descritos no enunciado: posicionamento da cabeça com a face para o lado oposto ao brônquio a ser aspirado, sonda com diâmetro inferior à metade da traqueia, hiperventilação e hiperoxigenação e procedimento de curta duração. O conjunto corresponde às recomendações usuais para aspiração de vias aéreas em pediatria, porque reduz hipóxia, estimulação vagal e obstrução excessiva. Por isso, ela contempla integralmente o protocolo pedido.
Gabarito: E
Na aspiração de vias aéreas em crianças, o cuidado não é só "retirar secreção" e pronto: você precisa reduzir ao máximo o risco de dessaturação, trauma e reflexo vagal. Por isso, a técnica pede alguns ajustes bem clássicos, como posicionar a cabeça para favorecer o acesso ao brônquio a ser aspirado, usar sonda de calibre pequeno em relação à traqueia e manter a manobra o mais rápida possível. A afirmativa I está correta porque a posição da cabeça com a face voltada para o lado oposto do brônquio-fonte ajuda a orientar a aspiração do lado desejado, associada à depressão do ombro do mesmo lado. A II também está correta: a sonda deve ser menor que a metade do diâmetro da traqueia, evitando obstrução excessiva e queda importante da ventilação. A III está correta porque, antes da aspiração, a hiperventilação e a hiperoxigenação ajudam a reduzir os efeitos da hipóxia e da estimulação vagal, que são riscos importantes nessa população. A IV também está correta, pois a aspiração deve ser breve, em média até 15 segundos, para diminuir complicações. Em materiais de fisioterapia respiratória e terapia intensiva pediátrica, essa lógica é bem padronizada: técnica rápida, delicada e com preparação adequada para não trocar secreção por sofrimento respiratório.