A PEEP intrínseca, oculta ou autoPEEP é o resultado da expiração incompleta, podendo ocorrer em pacientes com obstrução grave ao fluxo de ar, ou durante a ventilação mecânica que é muito rápida para permitir a expiração completa. A PEEP Intrínseca tem vários efeitos adversos. Qual das opções abaixo NÃO é um efeito adverso da PEEP intrínseca?
- A)A PEEP intrínseca aumenta a pressão intratorácica média, que compromete e retorno venoso e pode aumentar o débito cardíaco.
Errada, porque a auto-PEEP pode comprometer o retorno venoso e reduzir, não aumentar, o débito cardíaco.
- B)A hiperinsuflação que produz a PEEP intrínseca em pacientes com obstrução grave ao fluxo de ar pode aumentar o trabalho respiratório quando a região da respiração corrente se move para a porção superior achatada da curva pressão-volume.
Certa, pois a hiperinsuflação dinâmica aumenta o trabalho respiratório ao deslocar a respiração para uma região menos favorável da curva pressão-volume.
- C)A PEEP intrínseca aumenta a pressão alveolar ao final da inspiração, que aumenta o risco de volutrauma e ruptura alveolar.
Certa, porque a auto-PEEP eleva a pressão alveolar ao final da inspiração, aumentando o risco de volutrauma e ruptura alveolar.
- D)Quando a PEEP intrínseca passa despercebida, o aumento na pressão alveolar no final da inspiração (pressão platô) é interpretado erroneamente como uma redução na complacência dos pulmões e da parede torácica.
Certa, já que a auto-PEEP não percebida pode levar à leitura equivocada de baixa complacência quando o problema real é a pressão alveolar aumentada.
- E)A PEEP intrínseca pode ser transmitida para dentro da Veia Cava Superior (VCS), resultando na impressão equivocada de que a pressão diastólica final tenha aumentado.
Certa, pois a pressão pode ser transmitida para estruturas venosas centrais, confundindo a interpretação hemodinâmica.
Gabarito: A
A PEEP intrínseca, também chamada de auto-PEEP, aparece quando o paciente não consegue soltar todo o ar antes da próxima inspiração. Pense em um pulmão que fica “cheio demais” e sem tempo de esvaziar: isso aumenta a pressão no final da expiração e cria uma carga extra para o próximo ciclo respiratório. Esse cenário é comum em obstrução grave ao fluxo aéreo, como DPOC e asma grave, ou quando a ventilação mecânica está rápida demais para permitir expiração completa. Os efeitos adversos mais cobrados são bem clássicos: aumento do trabalho respiratório, hiperinsuflação dinâmica, risco de barotrauma/volutrauma, aumento da pressão intratorácica e redução do retorno venoso. Ou seja, o paciente faz mais esforço para iniciar a inspiração e, ao mesmo tempo, o tórax fica mais “pressionado”, o que prejudica a hemodinâmica. Por isso, a alternativa A está correta como resposta da questão: ela diz que a auto-PEEP aumenta a pressão intratorácica média e compromete o retorno venoso, mas erra ao afirmar que isso pode aumentar o débito cardíaco. O esperado, fisiologicamente, é o oposto: a elevação da pressão intratorácica tende a reduzir o retorno venoso e, com isso, pode diminuir o débito cardíaco. As demais alternativas descrevem efeitos adversos reais e conhecidos da auto-PEEP. Em prova, a banca costuma cobrar esse conceito de forma indireta: o raciocínio é identificar a consequência hemodinâmica e mecânica da hiperinsuflação dinâmica, sem cair na armadilha de confundir aumento de pressão com melhora de desempenho cardíaco.