Em casos de mielomeningocele, dependendo do nível da lesão, pode-se desenvolver marcha com dispositivos de assistência. Para tal, é preciso analisar a força muscular. Em lesões no nível L3- L4, a criança apresentará
- A)boa força em flexores de quadril e quadríceps.
Certa, porque em lesões L3-L4 há preservação típica de flexores de quadril e quadríceps, permitindo marcha com auxílio.
- B)quadríceps fracos, posteriores da coxa fracos ou ausentes.
Errada, porque posteriores de coxa fracos ou ausentes não caracterizam o padrão descrito para L3-L4 e a frase não resume adequadamente a preservação esperada.
- C)boa força em quadríceps, glúteos médio e máximo, e sóleo.
Errada, porque glúteo médio, glúteo máximo e sóleo são músculos mais distais ou de níveis inferiores, não sendo a combinação típica de L3-L4.
- D)membros inferiores flácidos com razoável força de tronco.
Errada, porque membros inferiores flácidos com boa força de tronco sugerem lesão mais alta e comprometimento motor bem maior abaixo do nível da lesão.
- E)membros inferiores flácidos com flexores de quadril presentes.
Errada, porque flexores de quadril presentes isoladamente lembram lesões mais altas ou padrões incompletos, não o quadro clássico de L3-L4.
Gabarito: A
Na mielomeningocele, o nível da lesão ajuda a prever quais grupos musculares ainda terão função e, por consequência, qual tipo de marcha a criança pode desenvolver com órteses e dispositivos de apoio. Quanto mais baixa a lesão, maior a preservação muscular abaixo dela. Por isso, a análise da força muscular é essencial antes de pensar em marcha funcional. Em lesões lombares altas, como L3-L4, costuma haver preservação dos flexores de quadril e dos extensores de joelho, especialmente o quadríceps. Isso permite algum controle de membro inferior e, em muitos casos, possibilita marcha com dispositivos de assistência, ainda que com limitações e maior gasto energético. A alternativa A descreve exatamente esse padrão: boa força em flexores de quadril e quadríceps. Esse é o achado compatível com lesão em L3-L4, porque esses grupos musculares costumam permanecer ativos nesse nível. Já grupos mais distais, como tornozelo e pé, tendem a estar mais comprometidos. Em provas de fisioterapia neurológica, a banca costuma cobrar essa lógica de “nível da lesão = músculos preservados”. Então, antes de imaginar o pé já funcionando como se nada tivesse acontecido, lembre que a anatomia neurológica cobra sua conta: primeiro vem o quadril e o joelho, depois o restante.