Homem, 32 anos, secretário de um escritório de advocacia, encontrou um colega de escola, fisioterapeuta, e comentou que estava ficando com a visão dupla e tinha dores de cabeça frequentes. Preocupado, o profissional fez uma avaliação simples e rápida, pedindo para o colega desviar o olhar para uma caneta que tinha em mãos. Notou que havia um estrabismo convergente do olho direito e ausência do movimento de abdução deste olho. O músculo paralisado e o nervo craniano responsável por sua inervação são, respectivamente:
- A)músculo reto medial e nervo oculomotor;
Errada, porque o reto medial faz adução e é inervado pelo nervo oculomotor, não explica a falta de abdução.
- B)músculo reto lateral e nervo abducente;
Certa, porque o reto lateral é o músculo da abdução ocular e é inervado pelo nervo abducente.
- C)músculo reto superior e nervo troclear;
Errada, porque o reto superior atua principalmente na elevação do olho e recebe inervação do nervo troclear para a oblíqua superior, não para esse movimento descrito.
- D)músculo reto inferior e nervo acessório;
Errada, porque o reto inferior faz depressão do olho e sua inervação é do nervo oculomotor, não do acessório.
- E)músculo oblíquo superior e nervo vago.
Errada, porque o oblíquo superior é inervado pelo troclear e o vago não participa da motricidade ocular.
Gabarito: B
Aqui a cena clínica aponta para uma lesão do nervo abducente (VI par craniano). Esse nervo comanda o músculo reto lateral, que é o responsável por levar o olho para fora, isto é, fazer a abdução. Quando ele falha, o olho fica “puxado” para dentro pelo reto medial, gerando estrabismo convergente e dificuldade para olhar lateralmente. É por isso que o paciente pode reclamar de visão dupla, especialmente ao tentar olhar para o lado afetado. Na prática, basta lembrar da função: reto lateral = abdução. Se a abdução some, pense imediatamente em paralisia do reto lateral e comprometimento do nervo abducente. Esse é um achado clássico na avaliação motora ocular, muito útil em fisioterapia neurológica e na semiologia dos nervos cranianos. As outras alternativas misturam músculos e nervos que fazem movimentos diferentes do olho, como elevação, depressão ou rotação, então não combinam com o quadro descrito. A banca gosta desse tipo de pegadinha porque troca o movimento ocular por outro par craniano, mas aqui o detalhe-chave é a ausência de abdução. Resumo de prova: olho não abduz, desvia para dentro, suspeite de lesão do VI par e do músculo reto lateral. É o clássico da anatomia funcional que cai com cara de caso clínico.