Mulher, 37 anos, com uma lesão crônica dolorosa na cintura pélvica, procura um fisioterapeuta para assisti-la. Durante a avaliação, o profissional identifica que a paciente está utilizando medicamento prescrito por outro profissional de saúde, que pode influenciar na resposta ao tratamento fisioterapêutico proposto. Esclarecida sobre a questão, a paciente questiona se deve interromper a medicação. A ação ética mais apropriada para o fisioterapeuta, nesse caso, é:
- A)prescrever uma nova medicação que não interfira no tratamento fisioterapêutico proposto;
Errada, porque o fisioterapeuta nao pode prescrever medicamento, atividade exclusiva de profissional habilitado para isso.
- B)encaminhar a paciente para outro fisioterapeuta, se abstendo da responsabilidade de propor terapia conjunta que possa ser prejudicial;
Errada, porque o dever ético é manejar a situação com segurança e integração, nao simplesmente fugir da responsabilidade.
- C)insistir que a paciente interrompa imediatamente a medicação para seguir o tratamento fisioterapêutico proposto;
Errada, porque a paciente nao deve interromper medicação por orientação do fisioterapeuta, sem aval do profissional prescritor.
- D)iniciar o tratamento fisioterapêutico proposto e monitorar a resposta clínica, explorando novas possibilidades, numa iniciativa de investigação científica;
Errada, porque iniciar conduta com finalidade de pesquisa exige protocolo próprio e aprovacao ética, nao pode ser tratado como improviso clínico.
- E)sugerir que a paciente consulte o profissional que fez a prescrição ou tomar a iniciativa e fazer contato direto com ele para construir a melhor conduta conjunta.
Certa, porque a postura ética é orientar a paciente a falar com o prescritor ou contatar esse profissional para alinhar a melhor conduta conjunta.
Gabarito: E
Quando voce encontra uma medicação prescrita por outro profissional que pode interferir no tratamento fisioterapêutico, o caminho ético nao é sair dando palpite no receituário alheio nem mandar a paciente suspender tudo por conta própria. A conduta correta é preservar a segurança da paciente e trabalhar de forma integrada com quem prescreveu o medicamento, porque a fisioterapia nao atua em “ilha”. Na prática, isso significa orientar a paciente a conversar com o profissional prescritor e, se necessário, fazer contato direto com ele para alinhar a conduta. Assim, voce evita conflito entre tratamentos e constrói um plano terapêutico conjunto, mais seguro e mais eficaz. Esse comportamento combina com os princípios de cooperação e respeito aos limites de atuação profissional previstos nos códigos de ética da área da saúde. O erro clássico aqui é achar que o fisioterapeuta pode mandar parar a medicação ou substituir o remédio por conta própria. Isso extrapola a competência profissional e pode trazer risco clínico importante. Também nao é caso de “lavar as maos” e simplesmente encaminhar para outro fisioterapeuta: o profissional deve atuar com responsabilidade dentro de sua área. Por isso, a melhor saída é articular a conduta com o prescritor, buscando a melhor decisão conjunta para a paciente. Em prova, sempre desconfie de alternativas que estimulam autonomia sem limite, porque em ética profissional isso costuma dar ruim - para o paciente e para a banca.