Homem, 63 anos, procurou clínica de fisioterapia, por indicação de amigos, para fazer pilates, após relatar menor disposição física e discreto tremor ao realizar alguns movimentos. Na avaliação fisioterapêutica, foram identificados: leve tremor de ação, disdiadococinesia e discreta ataxia da marcha. Com o resultado do exame clínico, a conduta mais adequada a ser aplicada, nesse caso, é:
- A)encaminhar para estudo eletroencefalográfico com a hipótese diagnóstica de mielinólise pontina central;
Errada, porque eletroencefalograma não é o exame de escolha para suspeita de lesão cerebelar e mielinólise pontina central não é a hipótese mais compatível com o quadro descrito.
- B)prescrever pilates três vezes por semana e acompanhar melhora dos sinais e sintomas apresentados;
Errada, porque não se deve apenas prescrever pilates quando há sinais neurológicos focais, já que o caso pede investigação diagnóstica antes de qualquer programa de exercício.
- C)contraindicar exercícios terapêuticos considerando a hipótese diagnóstica de distrofia muscular progressiva;
Errada, porque distrofia muscular progressiva costuma dar fraqueza muscular e não esse conjunto de sinais cerebelares, além de não justificar essa contraindicação do jeito proposto.
- D)procurar serviço hospitalar para fechar diagnóstico de síndrome parkinsoniana;
Errada, porque os achados não apontam para síndrome parkinsoniana, já que o quadro é de coordenação e marcha cerebelar, e não de bradicinesia e rigidez predominantes.
- E)solicitar avaliação de especialista, sugerindo exame de imagem com hipótese diagnóstica de cerebelopatia.
Certa, porque tremor de ação, disdiadococinesia e ataxia da marcha sugerem comprometimento cerebelar, exigindo avaliação especializada e exame de imagem.
Gabarito: E
O caso descreve sinais bem típicos de disfunção cerebelar: tremor de ação, disdiadococinesia e ataxia da marcha. O cerebelo é o grande coordenador do movimento, então quando ele falha, a pessoa até quer fazer o gesto, mas perde a precisão, a velocidade e o ritmo. Não é o padrão de um simples “sedentarismo” nem de uma fraqueza muscular isolada: aqui o exame clínico já acende uma luz amarela importante. Nessa situação, a conduta fisioterapêutica mais correta não é prescrever exercício e esperar ver no que dá. Antes de qualquer intervenção, o paciente deve ser encaminhado para avaliação médica especializada, com investigação complementar por imagem, porque a hipótese principal é uma cerebelopatia. Em neurologia, quando aparecem ataxia, disdiadococinesia e tremor de intenção ou de ação, você pensa primeiro em cerebelo, não em Parkinson. Por isso a alternativa E está correta: ela propõe o caminho certo, que é confirmar a causa do quadro com especialista e exame de imagem. Isso é coerente com o raciocínio clínico em fisioterapia neurológica: identificar sinais de alerta, reconhecer o padrão sindrômico e encaminhar quando houver suspeita de lesão central que exige diagnóstico médico. Resumo de prova: tremor de ação + disdiadococinesia + ataxia da marcha = cerebelo gritando. A banca costuma misturar isso com Parkinson ou com uma ideia genérica de atividade física, mas aqui o mais importante é não tratar como algo banal.