Mulher de 36 anos, com história gestacional de quatro partos vaginais, procurou serviço de Fisioterapia Uroginecológica com quadro de incontinência urinária de esforço, com impacto negativo na sua qualidade de vida. O principal objetivo fisioterapêutico nesses casos é:
- A)fortalecer os músculos que aumentam a pressão abdominal;
Errada, porque aumentar a pressão abdominal tende a piorar o escape urinário, não a tratar a incontinência de esforço.
- B)melhorar a coordenação dos músculos pelvitrocanterianos;
Errada, porque a coordenação dos músculos pelvitrocanterianos não é o alvo principal para controle urinário.
- C)otimizar a propriocepção durante a micção;
Errada, porque propriocepção durante a micção não é o foco terapêutico da incontinência urinária de esforço.
- D)fortalecer os músculos do assoalho pélvico relacionados com o controle da micção;
Certa, porque o tratamento fisioterapêutico principal é fortalecer e treinar os músculos do assoalho pélvico para melhorar o controle da micção.
- E)evitar a deterioração da qualidade de vida.
Errada, porque evitar piora da qualidade de vida é um objetivo geral, mas não o principal objetivo funcional e específico do tratamento.
Gabarito: D
A incontinência urinária de esforço acontece quando há perda de urina em situações de aumento da pressão abdominal, como tossir, rir, espirrar ou pegar peso. Na prática, isso costuma ter relação com fraqueza, baixa resistência ou mau recrutamento dos músculos do assoalho pélvico, que são justamente os principais “freios” da continência. Em uma paciente com quatro partos vaginais, esse raciocínio fica ainda mais forte, porque o parto vaginal pode favorecer lesões e enfraquecimento dessa musculatura. Por isso, o objetivo fisioterapêutico central nesses casos é fortalecer os músculos do assoalho pélvico e melhorar seu controle, para que eles consigam reagir no momento certo ao aumento de pressão intra-abdominal. Não é à toa que o treinamento dos músculos do assoalho pélvico é uma das condutas mais clássicas e eficazes na fisioterapia uroginecológica para incontinência urinária de esforço. O gabarito D está correto porque ele descreve exatamente a função que precisa ser recuperada: o suporte e o fechamento uretral dependem do bom desempenho dessa musculatura. Em outras palavras, a ideia não é aumentar a pressão dentro da barriga, e sim fortalecer o sistema que impede o vazamento quando a pressão sobe. Como base doutrinária, as diretrizes de reabilitação do assoalho pélvico e os consensos de uroginecologia apontam o treinamento muscular do assoalho pélvico como tratamento conservador de primeira linha para incontinência urinária de esforço.