Por infecção pela Covid-19, uma paciente de 42 anos permaneceu internada por 28 dias e, após alta hospitalar, procurou o ambulatório de fisioterapia para recuperação funcional. Apresentava-se restrita a cadeira de rodas, com grande dificuldade para manter-se em posição ortostática por mais de 20 segundos sem queda da saturação de oxigênio. Além da cinesioterapia, o recurso eletrotermofototerapêutico que poderia trazer benefícios para ganho de massa muscular sem gerar um grande aumento do consumo de oxigênio é:
- A)TENS (estimulação elétrica transcutânea);
Errada, porque a TENS é usada principalmente para analgesia, não para ganho de massa muscular.
- B)US (ultrassom);
Errada, porque o ultrassom terapêutico tem efeitos mecânicos e térmicos locais, sem foco em hipertrofia muscular funcional.
- C)FES (eletroestimulação funcional);
Certa, porque a FES recruta o músculo por estimulação elétrica e pode ajudar no ganho de massa muscular com menor exigência metabólica.
- D)PNF (facilitação neuromuscular proprioceptiva);
Errada, porque a PNF exige participação ativa e pode aumentar mais o consumo de oxigênio da paciente.
- E)eletroacupuntura.
Errada, porque a eletroacupuntura é mais empregada para analgesia e modulação de sintomas, não para hipertrofia muscular.
Gabarito: C
Depois de uma internação longa, como no caso da Covid-19, a paciente costuma sair com fraqueza muscular importante, descondicionamento e baixa tolerância ao esforço. A fisioterapia entra justamente para recuperar função, mas aqui existe uma limitação importante: qualquer recurso que aumente demais o custo metabólico pode derrubar a saturação e atrapalhar o tratamento. Entre as opções, a FES é a mais útil porque promove contrações musculares funcionais por meio da estimulação elétrica, ajudando no ganho de massa muscular e na reeducação motora. O ponto forte é que ela consegue recrutar o músculo mesmo quando a paciente ainda não consegue fazer esforço voluntário suficiente, o que é comum no pós-UTI e no pós-internação prolongada. Além disso, a FES tende a gerar um aumento de consumo de oxigênio menor do que exercícios ativos mais intensos ou manobras que exigem grande participação voluntária. Em outras palavras: ela trabalha o músculo, mas sem pedir do organismo o mesmo fôlego que uma atividade mais pesada exigiria. Isso a torna bem útil em pacientes com dessaturação rápida. Já TENS, ultrassom e eletroacupuntura são recursos mais voltados para analgesia ou efeitos locais específicos, e não para ganho de massa muscular. A PNF é uma técnica terapêutica ativa, mas depende mais do esforço do paciente, o que pode elevar o consumo de oxigênio. Por isso, o gabarito é a letra C.