Adulto jovem, corredor de curtas distâncias em provas de finais de semana, apresentou dor lombar com irradiação para membro inferior esquerdo. A avaliação fisioterapêutica conduzia para hipótese diagnóstica de lombociatalgia e foi realizado o teste de elevação do membro inferior sintomático estendido em busca do sinal de Lasègue, mas com pouca reprodução dos sintomas. Sendo assim, o fisioterapeuta realizou a dorsiflexão passiva do pé, consolidando um outro teste denominado:
- A)Duchenne;
Duchenne não é o nome do teste descrito no enunciado e não corresponde à manobra de dorsiflexão após a elevação da perna.
- B)Kernig;
Kernig é um sinal usado principalmente na irritação meníngea, não na investigação clássica de lombociatalgia.
- C)Brudzinski;
Brudzinski também está relacionado a sinais meníngeos, e não ao reforço do teste de Lasègue com dorsiflexão.
- D)Bragard;
Está correta porque a dorsiflexão passiva do pé após a elevação do membro estendido caracteriza o sinal de Bragard.
- E)Bonnet.
Bonnet não descreve essa sequência de teste para ciatalgia; é outro eponimo, sem relação com a manobra pedida.
Gabarito: D
Na avaliação da lombociatalgia, o teste de elevação da perna estendida busca reproduzir a dor irradiada ao longo do trajeto do nervo ciático, sugerindo irritação radicular. Quando o teste de Lasègue provoca pouca ou nenhuma reprodução dos sintomas, o examinador pode aumentar a tensão neural com a dorsiflexão passiva do pé, o que ajuda a “apertar o alarme” do trajeto neural e reforçar a suspeita clínica. Essa manobra complementa o teste e recebe o nome de sinal de Bragard. Em outras palavras: primeiro você eleva o membro inferior estendido; se a dor aparecer, mas não ficar muito clara, faz-se a dorsiflexão do pé. Se isso piora a dor, o teste fica compatível com irritação do nervo ciático ou das raízes lombossacras. É um detalhe clássico de prova: a banca adora trocar o nome do teste principal pelo nome da manobra complementar. Por isso, o gabarito é a letra D. O enunciado descreve exatamente a sequência do Lasègue seguida de dorsiflexão passiva do pé, que caracteriza o teste de Bragard. Não é muito escondido, mas a FGV gosta desse tipo de pegadinha terminológica.