Indivíduo do sexo masculino, 42 anos, com história familiar de hanseníase, apresenta no exame físico hipotrofia de músculos hipotenares e hiperextensão da falange proximal do 4º e 5º quirodáctilos da mão direita, com consequente flexão parcial das falanges médias e distais desses mesmos dedos, além de referir fraqueza ao segurar objetos. Considerando o caso exposto, o fisioterapeuta suspeita de:
- A)neurite do mediano, com sinal da mão simiesca por paralisia dos músculos intrínsecos da mão e laterais do antebraço;
Errada, porque o sinal descrito não é de mediano e sim de comprometimento ulnar, além de a “mão simiesca” estar ligada à atrofia tenar e não aos hipotenares.
- B)neurite do radial, com sinal da mão caída por paralisia dos músculos extensores da mão e dedos;
Errada, pois a mão caída é típica de lesão do radial, com déficit de extensão do punho e dos dedos, o que não corresponde ao quadro apresentado.
- C)monoparalisia associada a fenômeno de Raynaud, sinal típico do início de síndrome reumatológica;
Errada, porque fenômeno de Raynaud não explica a deformidade em garra nem a hipótese neurológica associada à hanseníase.
- D)polirradiculoneuropatia do ulnar e mediano, com sinal da mão em garra total por paralisia dos músculos anteriores do antebraço e intrínsecos da mão;
Errada, já que não se trata de polirradiculoneuropatia e a descrição anatômica da garra total está inadequada para o caso, que é mais compatível com lesão isolada do ulnar.
- E)neurite do ulnar, com sinal da mão em garra ulnar por paralisia dos músculos intrínsecos mediais da mão (hipotenares), flexor ulnar do carpo e metade medial do flexor profundo dos dedos.
Certa, pois a neurite do ulnar causa fraqueza dos músculos intrínsecos mediais da mão e produz a garra ulnar, especialmente em 4º e 5º dedos.
Gabarito: E
A hanseníase costuma atingir nervos periféricos e, no membro superior, o ulnar é um dos campeões de acometimento. Quando isso acontece, os músculos intrínsecos da mão perdem força, principalmente os hipotenares e os interósseos, o que prejudica a preensão fina e dá aquele aspecto clássico de “mão em garra” nos dedos mais ulnares. No caso descrito, a hipotrofia dos músculos hipotenares, a fraqueza ao segurar objetos e a hiperextensão da falange proximal do 4º e 5º dedos com flexão das falanges média e distal apontam para paralisia ulnar. Esse padrão é típico da chamada garra ulnar, resultado da perda do equilíbrio entre os extensores e flexores dos dedos, com maior evidência nos 4º e 5º quirodáctilos. A alternativa E está correta porque descreve exatamente a neurite do ulnar e seus efeitos motores. O ulnar inerva os músculos hipotenares, interósseos, lumbricais mediais, adutor do polegar e parte do flexor profundo dos dedos, por isso sua lesão altera a função de pinça e preensão. Em hanseníase, o comprometimento neural periférico é clássico e deve ser lembrado na avaliação fisioterapêutica. Se você pensar em “dedos em garra” e história de hanseníase, o raciocínio fica bem alinhado com a anatomia. A mão fala mais alto que o resto do caso.