Paciente do sexo masculino, 38 anos, procurou Serviço de Fisioterapia Respiratória por indicação de um familiar, apresentando cansaço, tosse permanente e eventos febris, mesmo após conclusão do tratamento medicamentoso para tuberculose pulmonar. A conduta profissional do fisioterapeuta nessa situação é:
- A)prescrever o uso de antitérmico, orientar repouso e o uso de máscara facial em ambientes fechados;
Errada, porque antitérmico e repouso não resolvem a suspeita de tuberculose ativa ou falha terapêutica, e a simples máscara em ambiente fechado não substitui o encaminhamento imediato.
- B)solicitar ao paciente o uso de máscara facial e prescrever o retorno ao uso dos medicamentos previamente estabelecidos para complementar o tratamento da tuberculose pulmonar;
Errada, porque o fisioterapeuta não deve orientar retorno por conta própria aos medicamentos nem assumir conduta terapêutica medicamentosa da tuberculose.
- C)solicitar ao paciente que expectore no consultório, em utensílio próprio para coleta de secreção pulmonar, para análise do escarro e, dependendo do aspecto apresentado, encaminhá-lo à unidade de saúde onde iniciou o tratamento;
Errada, porque esperar o aspecto do escarro para decidir e condicionar a conduta ao consultório não é suficiente diante de sinais de possível doença ativa, exigindo encaminhamento imediato.
- D)solicitar ao paciente a imediata adoção de uso de máscara facial, contatar o profissional responsável pelo tratamento medicamentoso para a tuberculose pulmonar e informar ao paciente sobre a possível reinfecção ou resistência ao tratamento e a necessidade de retornar à unidade de saúde;
Certa, porque exige uso imediato de máscara, comunica o responsável pelo tratamento e orienta retorno à unidade de saúde diante da possibilidade de reinfecção, recidiva ou resistência.
- E)orientar o uso de máscara facial, prescrever cinesioterapia respiratória e exercícios calistênicos para melhorar a capacidade funcional, além de retorno ao uso dos antibióticos previamente prescritos.
Errada, porque cinesioterapia e exercícios não são prioridade diante da suspeita de tuberculose ativa, e o fisioterapeuta não pode reiniciar antibióticos previamente prescritos.
Gabarito: D
Nesta questão, o ponto central é reconhecer que tosse persistente, cansaço e febre após o fim do tratamento para tuberculose pulmonar não são achados para o fisioterapeuta “segurar na mão e seguir a vida” com exercício. Isso levanta suspeita de falha terapêutica, recidiva, reinfecção ou até resistência medicamentosa, o que exige reavaliação médica e investigação na rede de saúde. Tuberculose é doença de notificação compulsória e, quando há suspeita de atividade da doença, o cuidado com biossegurança entra em cena imediatamente. A conduta correta do fisioterapeuta é proteger o paciente, a equipe e os demais usuários do serviço, orientando o uso imediato de máscara facial e acionando o profissional ou serviço responsável pelo tratamento, para que o paciente seja reencaminhado à unidade de saúde. Em termos práticos: não é hora de “testar” o pulmão com cinesioterapia nem de tocar a medicação por conta própria, porque isso foge da competência do fisioterapeuta e pode atrasar o diagnóstico de resistência ou de doença ativa. Por isso, a alternativa D está correta: ela combina medida de controle de transmissão com encaminhamento adequado e comunicação com o responsável pelo tratamento. Esse raciocínio está alinhado aos princípios de vigilância em saúde, às rotinas de controle de infecção e às normas do Ministério da Saúde para tuberculose, que preconizam busca imediata de avaliação em caso de suspeita de persistência ou retorno de sintomas. Em concurso, guarde a lógica: fisioterapeuta não prescreve antibiótico, não reinicia esquema medicamentoso e não ignora sintomas sugestivos de tuberculose ativa. Primeiro, segurança e encaminhamento; depois, o restante do cuidado multiprofissional.