Paciente de 70 anos, caucasiano, recém-aposentado, passando por estresse familiar nas últimas semanas, apresentou lesões cutâneas típicas de psoríase. Sabendo da possibilidade terapêutica por meio de exposição à radiação ultravioleta, procurou Serviço de Fisioterapia e obteve a seguinte orientação profissional:
- A)aguardar duas semanas para reavaliar efeitos após tratamento medicamentoso prescrito pelo dermatologista;
Errada, porque não há motivo para adiar a avaliação fototerápica se ela é indicada; o correto é individualizar a dose antes de iniciar.
- B)evitar tratamento imediato e retornar após a terceira consulta psicoterapêutica;
Errada, porque a indicação de fototerapia não depende de psicoterapia, e o estado emocional não substitui a avaliação da sensibilidade cutânea.
- C)iniciar tratamento imediato com exposição ultravioleta B por 10 minutos em dose estimada para o tom da pele observada;
Errada, porque a dose de UVB não deve ser prescrita apenas pelo tempo e pela aparência da pele, sem antes medir a DEM.
- D)fazer o teste de dose eritematosa mínima (DEM) para adequada prescrição da dose de exposição inicial;
Certa, porque a DEM orienta a dose inicial segura e personalizada da radiação ultravioleta no tratamento da psoríase.
- E)iniciar tratamento com exposição solar diária por 30 minutos, no máximo de superfície corporal possível.
Errada, porque exposição solar diária é inespecífica, difícil de controlar e pode causar queimadura, sem critério terapêutico adequado.
Gabarito: D
Na psoríase, a fototerapia com ultravioleta pode ser uma ótima aliada, mas não é tratamento de improviso. Antes de definir a dose inicial, você precisa saber como a pele daquele paciente reage à radiação, porque a resposta varia com fototipo, idade, cor da pele, medicações em uso e até com o estado inflamatório do momento. Em outras palavras: a pele não recebe UV como se fosse receita de bolo. É exatamente por isso que se faz o teste de dose eritematosa mínima (DEM). A DEM é a menor dose de UV capaz de produzir eritema perceptível após um período padronizado de observação. A partir dela, o profissional consegue prescrever uma dose inicial mais segura e individualizada, reduzindo risco de queimadura e aumentando a chance de benefício terapêutico. No caso da psoríase, a fototerapia é clássica, especialmente com UVB de banda estreita, mas a prescrição correta depende da avaliação prévia da sensibilidade cutânea. Em paciente caucasiano e idoso, a cautela é ainda mais importante, porque a pele pode responder de forma mais intensa à radiação. Então, antes de qualquer exposição terapêutica, primeiro mede-se a DEM. Por isso o gabarito é a letra D. A banca quis testar exatamente o raciocínio de que a dose inicial não deve ser escolhida apenas por "achismo" ou pelo tom de pele observado, e sim por teste objetivo de fotossensibilidade. Esse é o padrão seguro e técnico da fototerapia.