Paciente adulto jovem, sexo masculino, com membro superior esquerdo imobilizado há um mês, logo após ter fraturado a diáfise da ulna, procurou Serviço de Fisioterapia apresentando dificuldade em movimentar os dedos e o ombro esquerdo. Nessa circunstância clínica, é recomendado:
- A)evitar o movimento de todo o membro superior esquerdo até que ocorra a consolidação plena da fratura;
Errada, porque não se deve evitar o movimento de todo o membro superior por completo, já que segmentos livres da fratura podem e devem ser mobilizados para evitar rigidez.
- B)fazer a anamnese do paciente e solicitar retorno ao médico responsável pela imobilização para que avalie a liberação para fisioterapia;
Errada, pois a fisioterapia pode e deve ser iniciada com base na avaliação funcional e nas restrições da imobilização, sem necessidade automática de aguardar nova autorização médica se já houver segurança clínica.
- C)iniciar recuperação funcional o mais precocemente possível, pois não há restrição à mobilização dos dedos e do ombro esquerdo;
Certa, porque a mobilização precoce dos dedos e do ombro ajuda a preservar função e reduzir complicações da imobilização, desde que respeite a estabilidade da fratura.
- D)iniciar fisioterapia somente após o segundo mês de imobilização;
Errada, porque não existe regra de esperar o segundo mês para só então começar fisioterapia; a reabilitação costuma iniciar o mais precocemente possível dentro dos limites seguros.
- E)solicitar radiografia do antebraço e ressonância magnética da mão e do ombro esquerdos para análise de possíveis lesões associadas.
Errada, porque não é necessário pedir exames de imagem adicionais de rotina para decidir sobre a mobilização funcional, que é guiada principalmente pela avaliação clínica e pela condição ortopédica já conhecida.
Gabarito: C
Depois de uma fratura imobilizada, o grande cuidado da fisioterapia é não transformar a proteção da fratura em “congelamento” do membro todo. Quando a consolidação óssea ainda está em curso, nem tudo fica proibido: segmentos que não comprometem o foco da fratura, como dedos e, em muitos casos, o ombro, devem ser mantidos em movimento para evitar rigidez, edema, perda de força e aderências. No caso descrito, o paciente está com o antebraço imobilizado há um mês após fratura da diáfise da ulna e já apresenta dificuldade para mexer dedos e ombro. Isso sugere justamente o que a fisioterapia quer prevenir: restrição funcional secundária à imobilização. Assim, a conduta recomendada é iniciar a recuperação funcional o quanto antes, respeitando as limitações mecânicas da fratura e o tipo de imobilização. O gabarito C está correto porque a mobilização ativa dos dedos e, se liberado pelas condições ortopédicas, do ombro, não costuma gerar risco para a consolidação da fratura da ulna. Ao contrário, ajuda a preservar amplitude de movimento, circulação e função. Em fisioterapia, imobilização não é sinônimo de repouso absoluto de todo o membro: o raciocínio é proteger o foco da fratura sem deixar o restante “esquecer” como se move. Na prática, a liberação e os limites devem sempre respeitar a estabilidade da fratura e a orientação do ortopedista, mas a conduta geral em reabilitação precoce é manter o que for seguro em movimento. É a velha regra: proteger sem abandonar.