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Fisioterapia · FGV · 2021

Questão comentada de Fisioterapia

Após os ajustes ventilatórios iniciais e titulação da PEEP ideal, o paciente foi posicionado na posição supino e coletada a primeira gasometria arterial após o procedimento de intubação orotraqueal. O resultado da gasometria foi o seguinte: pH - 7,08; PaO2 - 61,2 mmHg; PaCO2 80 mmHg; HCO3 - 24,8 mEq/L. Assinale a opção que indica a melhor descrição do estado ácidobásico do paciente.

Gabarito: C

Para interpretar gasometria, você olha primeiro o pH: se está baixo, há acidemia. Aqui o pH é 7,08, então o paciente está em acidose, sem rodeios. Depois vem a causa: a PaCO2 está alta, em 80 mmHg, enquanto o bicarbonato está praticamente normal (24,8 mEq/L), o que indica um distúrbio primariamente respiratório, ainda sem compensação metabólica importante. Em outras palavras, o pulmão não está eliminando CO2 como deveria, e esse CO2 acumulado empurra o pH para baixo. A lógica clássica da gasometria é: PaCO2 funciona como o componente ácido e o HCO3- como o componente metabólico. Quando a PaCO2 sobe, a relação HCO3-/PaCO2 cai, e o pH também cai. É exatamente isso que acontece aqui: hipercapnia importante, pH muito baixo e bicarbonato preservado. Isso é o retrato de uma acidose respiratória aguda. O gabarito C está correto porque descreve a alteração principal: aumento da PaCO2 levando à redução da relação HCO3-/PaCO2 e, consequentemente, à queda do pH. As alternativas que falam em acidose metabólica erram porque o bicarbonato não está reduzido. E as que falam em alcalose vão na direção oposta ao que a gasometria mostra. Na prática fisioterapêutica, esse tipo de gasometria chama atenção para hipoventilação, falha ventilatória ou ajuste ventilatório insuficiente após a intubação. Então, antes de decorar rótulos, faça o trio básico: pH, PaCO2 e HCO3-. Ele costuma resolver a questão com mais elegância do que muito chute nervoso.

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