Assincronia paciente-ventilador é a incordenação entre os esforços e as necessidades ventilatórias do paciente em relação ao que é ofertado pelo ventilador mecânico. O esforço inspiratório do paciente que não é suficiente para disparar o ventilador, é definido como disparo ineficaz. Assinale a opção que apresenta o procedimento que contribui para a ocorrência do disparo ineficaz durante a ventilação.
- A)Ajuste inadequado da sensibilidade do ventilador mecânico, secreção no tubo endotraqueal (TOT), fraqueza muscular respiratória, presença de auto-PEEP e fuga aérea pelo baronete do TOT.
Errada, porque secreção no TOT, fraqueza muscular, auto-PEEP e fuga aérea podem dificultar o disparo, mas a formulação não é a melhor resposta da banca diante do conjunto mais clássico e direto de causas de disparo ineficaz.
- B)Fraqueza muscular inspiratória, presença de auto-PEEP, elevada necessidade de alto fluxo inspiratório pelo paciente e tempo inspiratório mecânico curto.
Errada, porque traz causas de assincronia, mas mistura um tempo inspiratório mecânico curto com maior necessidade de alto fluxo inspiratório, elementos que não representam de forma tão direta o mecanismo cobrado no enunciado.
- C)Ajuste inadequado da sensibilidade do ventilador mecânico, fuga aérea pelo baronete do TOT, tempo inspiratório neural maior que o tempo inspiratório mecânico e presença de autoPEEP.
Errada, porque embora sensibilidade inadequada, fuga aérea, tempo inspiratório neural maior que o mecânico e auto-PEEP possam gerar assincronia, a alternativa não é a melhor associação clássica de fatores que levam ao disparo ineficaz.
- D)Ajuste inadequado da sensibilidade do ventilador mecânico, fraqueza muscular respiratória, depressão do comando neural e presença de hiperinsuflação dinâmica.
Certa, porque sensibilidade inadequada, fraqueza muscular, depressão do comando neural e hiperinsuflação dinâmica reduzem a capacidade do paciente de disparar o ventilador, caracterizando disparo ineficaz.
Gabarito: D
A assincronia paciente-ventilador acontece quando o esforço do paciente não combina com o que o ventilador entrega. No disparo ineficaz, o paciente até tenta inspirar, mas o esforço não vence a “barreira” do circuito ou do próprio pulmão e o ventilador não reconhece o gatilho. Isso é muito comum em situações de fraqueza muscular, auto-PEEP, sensibilidade mal ajustada e alterações do drive respiratório. No caso da alternativa D, os fatores citados favorecem exatamente esse problema: ajuste inadequado da sensibilidade do ventilador dificulta o disparo; fraqueza muscular respiratória reduz a capacidade de gerar esforço suficiente; depressão do comando neural diminui a vontade/impulso para respirar; e a hiperinsuflação dinâmica aumenta a pressão intrínseca, tornando mais difícil iniciar uma nova inspiração. Em resumo: o paciente tenta, mas o ventilador não “percebe” ou não acompanha. Em fisioterapia respiratória e ventilação mecânica, vale lembrar a lógica clássica da assincronia: se o paciente precisa fazer esforço demais para acionar o ventilador, a chance de disparo ineficaz sobe bastante. Não é um detalhe técnico chato, é quase o ventilador dizendo “não ouvi você”, mesmo com o paciente insistindo. Por isso, o gabarito é D: reúne causas bem reconhecidas de disparo ineficaz por redução do drive, da força muscular e por aumento da carga imposta ao sistema respiratório.