A ampliação dos serviços de atenção domiciliar, tanto no setor público quanto privado, deve estimular a alta hospitalar (desospitalização). O fisioterapeuta é indispensável na tomada de decisão para planejar a alta e a continuidade da assistência em centros especializados e no próprio domicílio. Com relação à desospitalização de crianças em ventilação mecânica invasiva, analise as afirmativas a seguir. I. O domicílio necessita ser avaliado pela equipe para averiguar se é possível acomodar a criança, os insumos e equipamentos domiciliares como o ventilador mecânico e prestar as orientações quando necessárias. II. O fisioterapeuta aponta os indicadores da desospitalização diretamente relacionados com sua participação ativa no processo, entre eles, o desmame da ventilação mecânica. III. Crianças em ventilação mecânica, com necessidade de fração inspirada de oxigênio acima de 60%, têm condições de alta hospitalar. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa admite apenas a afirmativa I, que trata da avaliação do domicílio para verificar espaço, equipamentos, insumos e orientações à família. Esse cuidado é realmente exigido na desospitalização, mas a II também está correta porque a fisioterapia participa ativamente do desmame ventilatório e da definição da aptidão para alta. Por isso, a opção fica incompleta ao excluir um segundo enunciado verdadeiro.
- B)II, somente.
Aqui se afirma somente a afirmativa II, ligada ao papel do fisioterapeuta no desmame da ventilação mecânica e na preparação para a alta. Esse ponto está correto, porque a atuação fisioterapêutica é central na avaliação da dependência ventilatória e na progressão para menor suporte. O problema é que a I também descreve uma exigência real da desospitalização, então a alternativa deixa de abranger todo o conjunto verdadeiro.
- C)III, somente.
A opção aceita apenas a afirmativa III, que diz que crianças em VM invasiva com FiO2 acima de 60% teriam condições de alta hospitalar. Isso contraria a lógica da desospitalização, porque alta domiciliar pede estabilidade clínica e baixa necessidade de oxigênio, e FiO2 tão elevada indica dependência importante de suporte. Em regra, valores altos de FiO2 são incompatíveis com segurança para cuidado em casa.
- D)I e II, somente.
A alternativa reúne I e II, que são as afirmações compatíveis com a prática de desospitalização pediátrica. É correto avaliar o domicílio para garantir espaço, recursos, ventilador, insumos e treinamento da equipe/cuidador, e também é correto reconhecer o desmame ventilatório como indicador ligado à atuação do fisioterapeuta. Como a III é incompatível com alta domiciliar, esta é a combinação exata.
- E)I, II e III.
A opção sustenta que I, II e III estariam corretas. Embora I e II descrevam medidas reais da desospitalização e do trabalho fisioterapêutico, a III falha porque uma criança que ainda precisa de FiO2 acima de 60% não apresenta a estabilidade respiratória esperada para sair do hospital. Assim, incluir a III torna o conjunto incorreto.
Gabarito: D
A desospitalização de crianças em ventilação mecânica invasiva não é um ato isolado: ela exige planejamento, avaliação da casa e da família, além de uma rede capaz de manter o cuidado com segurança. Por isso, a afirmação I está correta, porque o domicílio precisa ser vistoriado pela equipe para verificar espaço, acessibilidade, insumos, energia, ventilador mecânico e orientações aos cuidadores. Sem essa checagem, a alta vira aventura, e concurso adora cortar essa fantasia pela raiz. A afirmação II também está correta. O fisioterapeuta participa ativamente da decisão de alta e acompanha indicadores importantes, como estabilidade clínica e possibilidade de desmame da ventilação mecânica. Em outras palavras, não basta a criança estar viva e simpática: é preciso que exista condição respiratória e suporte domiciliar compatíveis com a continuidade do cuidado fora do hospital. Já a afirmação III está errada. Crianças que ainda precisam de fração inspirada de oxigênio acima de 60% não têm, em regra, perfil de estabilidade para alta hospitalar em ventilação mecânica invasiva, porque isso indica demanda respiratória muito alta e maior risco clínico. A lógica da desospitalização é justamente levar para casa o que está estabilizado e manejável, não o que ainda depende de suporte intensivo elevado. Assim, o gabarito é a letra D, porque apenas as afirmativas I e II estão corretas. A questão cobra um princípio bem conhecido na atenção domiciliar e na desospitalização: segurança, estabilidade e preparo do ambiente contam tanto quanto o tratamento em si.