Paciente de 50 anos, sexo masculino, deu entrada na emergência de um hospital geral de Fortaleza, com quadro clínico de insuficiência respiratória aguda. Imediatamente foi realizada uma gasometria arterial em ar ambiente, com o seguinte resultado: pH = 7,31 PaCO2 = 56 mmHg PaO2 = 52 mmHg HCO3 = 26 mEq/mL SaO2 = 86% O distúrbio ácido-base e a D(A-a)O2 (diferença alvéolo-arterial), são, respectivamente,
- A)acidose metabólica e 108 mmHg.
Errada, porque o quadro não é de acidose metabólica: o bicarbonato está normal e o CO2 está elevado, apontando para origem respiratória.
- B)acidose respiratória e 40% de oxigênio.
Errada, porque a descrição do distúrbio ácido-base está correta, mas a D(A-a)O2 não é 40% de oxigênio e sim uma diferença em mmHg.
- C)acidose respiratória e 4 mmHg.
Errada, porque a acidose respiratória até está correta, mas a D(A-a)O2 calculada não é 4 mmHg e sim 28 mmHg.
- D)acidose respiratória e 28 mmHg.
Certa, porque pH baixo com PaCO2 alto indica acidose respiratória e a D(A-a)O2 pela equação alveolar em ar ambiente é 28 mmHg.
- E)acidose mista e 60% de oxigênio.
Errada, porque não há critério para acidose mista e a D(A-a)O2 não é expressa em porcentagem.
Gabarito: D
A gasometria arterial é uma foto rápida da ventilação, da oxigenação e do equilíbrio ácido-base. Aqui, o pH está baixo, o PaCO2 está alto e o bicarbonato está praticamente normal. Esse trio aponta para acidose respiratória, porque o problema principal é a retenção de CO2 por hipoventilação. Se fosse metabólica, você esperaria o bicarbonato mais alterado primeiro, e não o CO2 como vilão da cena. Para calcular a diferença alvéolo-arterial de oxigênio (D(A-a)O2), você usa a equação alveolar simplificada em ar ambiente: PAO2 = 150 - (PaCO2/0,8). Com PaCO2 de 56 mmHg, o PAO2 fica em 80 mmHg. Depois, basta subtrair a PaO2 medida: 80 - 52 = 28 mmHg. Pronto: a diferença alvéolo-arterial é 28 mmHg. Isso significa que o paciente tem acidose respiratória e uma D(A-a)O2 aumentada, sugerindo problema de troca gasosa além da simples hipoventilação. Em prova, a banca costuma cobrar esse raciocínio em dois passos: primeiro identificar o distúrbio ácido-base pelo pH e CO2; depois aplicar a fórmula do gradiente alvéolo-arterial sem inventar moda. Então, o gabarito D está correto porque junta exatamente os dois achados do caso: acidose respiratória e D(A-a)O2 de 28 mmHg. Nada de misturar com acidose metabólica ou percentuais de oxigênio, que parecem bonitos no papel, mas não batem com a gasometria.