As complicações respiratórias são as principais consequências negativas das cirurgias torácicas. Independentemente das condições pré-operatórias, o ato anestésico, a incisão cirúrgica e a manipulação dos tecidos contribuem para a alta incidência dessas complicações. A lesão do nervo frênico, com a consequente paralisia do diafragma, é uma complicação respiratória grave da cirurgia torácica. Deve-se suspeitar de paralisia diafragmática nos seguintes casos:
- A)movimentação paradoxal do diafragma durante a respiração espontânea, retificação da hemicúpula diafragmática no raioX de tórax e capacidade residual reduzida.
Errada, porque o achado clássico no raio-X é elevação, e não retificação, da hemicúpula diafragmática, embora o movimento paradoxal e a queda da capacidade vital estejam compatíveis com o quadro.
- B)movimentação anormal do diafragma durante a respiração espontânea, elevação da das costelas posteriores no raio-X de tórax e capacidade residual reduzida.
Errada, porque elevação das costelas posteriores não é o sinal radiológico típico de paralisia diafragmática, apesar de haver alteração do movimento diafragmático e redução da capacidade residual.
- C)elevação da hemicúpula diafragmática no raio-X de tórax, aumento do ângulo do seio gosto frênico homolateral e capacidade vital reduzida.
Errada, porque há elevação da hemicúpula e redução da capacidade vital, mas o aumento do ângulo do seio costofrênico não é o achado esperado nessa situação.
- D)movimentação paradoxal do diafragma durante a respiração espontânea, elevação da hemicúpula diafragmática no raio-X de tórax e capacidade vital reduzida.
Certa, porque reúne movimentação paradoxal do diafragma, elevação da hemicúpula no raio-X e redução da capacidade vital, que são sinais clássicos de paralisia diafragmática.
- E)movimentação paradoxal do diafragma durante a respiração espontânea, retificação da hemicúpula diafragmática no raioX de tórax e capacidade residual funcional aumentada.
Errada, porque a paralisia diafragmática costuma reduzir, e não aumentar, a capacidade residual funcional; além disso, a retificação da hemicúpula não é o achado radiológico típico.
Gabarito: D
A paralisia diafragmática acontece quando o nervo frênico é lesionado, fazendo o diafragma perder sua contração eficiente. Em vez de descer na inspiração, a hemicúpula comprometida pode subir ou até fazer movimento paradoxal, isto é, se mover ao contrário do esperado. Isso atrapalha a ventilação, reduz a capacidade vital e pode causar dispneia, especialmente após cirurgias torácicas, que já “desarmam” a mecânica respiratória com dor, anestesia e manipulação dos tecidos. No raio-X de tórax, o achado clássico é a elevação da hemicúpula diafragmática do lado acometido. Quando a inspiração falha, o pulmão ventila pior e a capacidade vital cai. Se houver dúvida, a avaliação dinâmica do diafragma pode mostrar movimento paradoxal na respiração espontânea, que é um sinal bem sugestivo de paralisia. Por isso, a alternativa D está correta: ela reúne os três pontos que mais chamam atenção na prática - movimento paradoxal do diafragma, elevação da hemicúpula no raio-X e redução da capacidade vital. É o tipo de trio que a banca adora colocar junto para você reconhecer o quadro sem escorregar na terminologia. Como apoio doutrinário, a fisioterapia respiratória descreve a disfunção diafragmática por lesão frênica como causa de padrão ventilatório restritivo, com redução de volumes pulmonares, principalmente capacidade vital e capacidade inspiratória. Em provas, a lógica é sempre a mesma: diafragma parado ou invertido, raio-X alterado e volume pulmonar diminuído.