Jovem, 18 anos sofreu lesão raquimedular em nível de C4, ASIA A, em um acidente de motocicleta. Assinale a opção que indica a capacidade funcional apresentada por este paciente.
- A)Atividades por comando com haste na boca; possui movimento de cabeça e pescoço e consegue elevar os ombros.
Correta: em C4 ASIA A, o paciente preserva movimentos de cabeça/pescoço e elevação dos ombros, podendo usar dispositivos como haste na boca para atividades comandadas.
- B)Rola, senta, veste-se, arruma-se, desliza sobre a cama; equilíbrio na posição sentada com as pernas estendidas ou flexionadas e faz alívio de pressão inclinando para frente.
Errada: rolar, sentar e vestir-se com esse grau de independência exigem função motora muito maior, incompatível com uma lesão C4 completa.
- C)Rola, senta, veste-se, arruma-se, equilíbrio sentado; transferência da cadeira de rodas para o carro e abaixa-se ou inclina o corpo para diante para alívio de pressões.
Errada: transferências, equilíbrio sentado funcional e alívio de pressão com inclinação para frente são capacidades de pacientes com lesões bem mais baixas e maior preservação de tronco e membros superiores.
- D)Deambula com órtese recíproca para marcha.
Errada: deambulação com órtese recíproca é típica de lesões torácicas altas ou paralisia muito distinta, não de uma lesão cervical completa em C4.
- E)Deambula com órtese joelho-tornozelo-pé para marcha.
Errada: deambulação com órtese joelho-tornozelo-pé depende de musculatura e controle motor de membros inferiores, ausentes em uma lesão C4 ASIA A.
Gabarito: A
Em lesão raquimedular, o nível neurológico e a classificação ASIA ajudam a prever o que o paciente ainda consegue fazer no dia a dia. Quando a lesão é alta, como em C4 completa (ASIA A), o comprometimento motor é muito amplo, porque fica abaixo da inervação de boa parte do diafragma e de praticamente toda a musculatura de tronco e membros. Na prática, isso significa dependência muito grande para mobilidade e autocuidado, com uso de recursos de adaptação e assistência contínua. No nível C4, o paciente costuma preservar movimentos de cabeça e pescoço e consegue elevar os ombros, o que permite algum controle de ambiente e comunicação. É exatamente essa a pista funcional mais importante da questão. Em geral, esse paciente pode realizar atividades com comando, usando, por exemplo, haste na boca ou outros dispositivos de tecnologia assistiva, já que não há função suficiente de membros superiores para tarefas mais complexas. Por isso o gabarito A está correto: ele descreve o perfil funcional esperado de uma lesão cervical alta em C4 ASIA A. Já as opções com rolar, sentar independente, transferências e marcha com órteses representam níveis bem mais baixos na medula, com preservação motora muito maior, o que não combina com C4 completa. Em resumo: quanto mais alta a lesão cervical, menor a autonomia motora. Aqui, o paciente tem controle de cabeça e ombros, mas não tem função suficiente para sentar, transferir ou deambular de forma funcional.