Paciente do sexo feminino, 75 anos, com hipertensão arterial sistêmica não controlada há dez anos, chegou à emergencia de um hospital geral com quadro clínico de edema agudo de pulmão (EAP), sendo encaminhada para o CTI. Devido ao quadro de insuficiência respiratória tipo I ou hipoxemia da paciente, o tratamento fisioterapêutico incluiu a aplicação da pressão positiva contínua de vias aéreas (CPAP). O objetivo dessa conduta é
- A)aumentar a ventilação alveolar, aumentar shunt alvéolo-capilar e resolver fadiga muscular.
Errada, porque o CPAP não aumenta shunt alvéolo-capilar, e sim tende a reduzi-lo ao recrutar alvéolos colapsados.
- B)corrigir níveis de PaCO2, prevenir fadiga e diminuir complacência pulmonar.
Errada, porque o quadro descrito é de hipoxemia, não de hipercapnia como alvo principal, e o CPAP não é indicado para diminuir complacência pulmonar.
- C)corrigir hipoxemia, diminuir shunt alvéolo-capilar e aumentar a complacência pulmonar.
Certa, pois o CPAP melhora a oxigenação, reduz o shunt alvéolo-capilar e aumenta a complacência pulmonar funcional por recrutamento alveolar.
- D)aumentar a ventilação alveolar, diminuir o espaço morto anatômico e diminuir a hipercapnia.
Errada, porque diminuir espaço morto anatômico e hipercapnia não é o objetivo central do CPAP no edema agudo de pulmão hipoxêmico.
- E)reverter a hipoxemia por meio do aumento da ventilação alveolar e redução da PaCO2.
Errada, porque o foco principal do CPAP é corrigir hipoxemia por recrutamento alveolar, e não simplesmente aumentar ventilação alveolar para reduzir PaCO2.
Gabarito: C
O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) mantém uma pressão acima da atmosférica durante todo o ciclo respiratório, funcionando como uma espécie de “ajuda para manter o pulmão aberto”. No edema agudo de pulmão cardiogênico, isso é especialmente útil porque recruta alvéolos, melhora a relação ventilação/perfusão e reduz o trabalho respiratório. O resultado prático é menos shunt alvéolo-capilar e melhor oxigenação, o que combate a hipoxemia da paciente. Além disso, a pressão positiva pode aumentar a capacidade funcional residual e favorecer a complacência pulmonar, já que os alvéolos ficam menos colapsados e mais fáceis de ventilar. Em pacientes com EAP, isso ajuda a “desafogar” a respiração, aliviando dispneia e reduzindo a fadiga muscular respiratória. Na fisioterapia, o CPAP é um recurso clássico de suporte não invasivo para insuficiência respiratória hipoxêmica. Por isso, o gabarito é a alternativa C: o objetivo é corrigir a hipoxemia, diminuir o shunt alvéolo-capilar e aumentar a complacência pulmonar. Repare que a lógica aqui não é simplesmente “jogar mais ar” ou focar em CO2, mas melhorar a oxigenação por recrutamento alveolar e estabilização das vias aéreas. Em resumo: no EAP, o CPAP melhora a troca gasosa e reduz o esforço respiratório. É uma intervenção com base fisiopatológica bem consolidada na prática clínica, embora a pergunta não cobre norma legal ou jurisprudência, e sim o efeito fisioterapêutico esperado.