Paciente, 75 anos, sexo feminino, com queixa recente de vertigem ao girar a cabeça associada a náuseas, sugerindo o diagnóstico de vertigem postural paroxística benigna (VPPB). Nestes casos é necessária a realização da manobra de Dix Hallpike para confirmação diagnóstica. Assinale a opção que apresenta as estruturas dessa patologia e as funções correspondentes.
- A)utrículo: aceleração angular da cabeça / canais semicirculares: aceleração linear da cabeça.
Errada, porque inverte as funções: o utrículo não detecta aceleração angular e os canais semicirculares não detectam aceleração linear.
- B)órgãos otolíticos: aceleração linear da cabeça / canais semicirculares: aceleração angular da cabeça.
Certa, porque os órgãos otolíticos percebem aceleração linear e os canais semicirculares percebem aceleração angular.
- C)nervo vestibular: aceleração angular da cabeça / ampola: aceleração linear da cabeça.
Errada, porque o nervo vestibular não é a estrutura que detecta aceleração angular, e a ampola não percebe aceleração linear.
- D)ampola: aceleração linear da cabeça / órgãos otolíticos: aceleração angular da cabeça.
Errada, porque a ampola integra os canais semicirculares e se relaciona com aceleração angular, não linear, enquanto os órgãos otolíticos não fazem aceleração angular.
- E)órgãos otolíticos: movimentos rotacionais oculares / canais semicirculares: movimentos laterais de cabeça.
Errada, porque os órgãos otolíticos não controlam movimentos rotacionais oculares e os canais semicirculares não são responsáveis por movimentos laterais da cabeça.
Gabarito: B
A VPPB acontece quando pequenos cristais de carbonato de cálcio, os otocônios, se deslocam dentro do sistema vestibular, irritando estruturas que não deveriam ser estimuladas naquele momento. O resultado clássico é uma vertigem curta, desencadeada por mudança de posição da cabeça, como ao deitar, virar na cama ou olhar para cima. Por isso a manobra de Dix-Hallpike é usada para provocar o sintoma e ajudar a confirmar o diagnóstico. Para entender a fisiologia por trás disso, basta lembrar a função de cada parte do labirinto. Os órgãos otolíticos, isto é, utrículo e sáculo, detectam aceleração linear e a posição da cabeça em relação à gravidade. Já os canais semicirculares percebem aceleração angular, ou seja, movimentos de rotação da cabeça. É um sistema bem organizado: cada um cuida de um tipo de movimento, sem confusão - quando o conteúdo do ouvido interno resolve sair da trilha, aparece a VPPB. Assim, a alternativa B está correta porque relaciona os órgãos otolíticos com aceleração linear da cabeça e os canais semicirculares com aceleração angular da cabeça. Esse é o pareamento anatômico e funcional clássico cobrado em vestibulopatias e em fisioterapia geriátrica, já que quedas e tonturas são muito frequentes nessa faixa etária. As demais alternativas trocam as funções das estruturas ou atribuem aos elementos vestibulares funções que não são deles. Em prova, a banca costuma testar exatamente essa troca entre movimento linear e movimento angular, que é o ponto mais importante para não cair na pegadinha.