Com relação à técnica de aumento do fluxo expiratório (AFE), analise as afirmativas a seguir. I. É indicada para pacientes que apresentam obstrução brônquica causada pelo acúmulo de secreção. II. O AFRR (aumento rápido do fluxo expiratório) é contraindicado em pacientes com traqueobroncodisplasia. III. O AFEL (aumento lento do fluxo expiratório) deve ser utilizado quando as secreções estiverem localizadas nas vias aéreas centrais com ausculta pulmonar manifestada com roncos. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa afirma que a técnica de aumento do fluxo expiratório é indicada quando há obstrução brônquica por acúmulo de secreção. Isso está correto, porque a AFE tem como finalidade elevar o fluxo na expiração para mobilizar secreções e reduzir a obstrução das vias aéreas. O problema é que a afirmativa II também procede, então não basta marcar apenas essa proposição.
- B)II, somente.
Aqui se sustenta que o aumento rápido do fluxo expiratório não deve ser usado em pacientes com traqueobroncodisplasia, isto é, em situações de vias aéreas mais frágeis e suscetíveis ao colapso. O fundamento é coerente: o aumento brusco do fluxo e da pressão intratorácica pode favorecer fechamento dinâmico da via aérea e piorar a ventilação. Ainda assim, a opção fica incompleta porque a afirmativa I também está correta.
- C)III, somente.
A alternativa diz que o aumento lento do fluxo expiratório seria o recurso indicado quando as secreções estão nas vias aéreas centrais e a ausculta mostra roncos. Isso inverte a lógica técnica, porque secreções centrais e roncos costumam responder melhor ao aumento rápido do fluxo, enquanto o AFE lento é mais útil para mobilizar secreções periféricas. Por isso, a proposição erra na indicação clínica.
- D)I e II, somente.
Esta alternativa reúne as afirmativas I e II, que são as que se sustentam no conteúdo técnico da AFE. A técnica é indicada para secreções que provocam obstrução brônquica, e o aumento rápido do fluxo pode ser contraindicado em vias aéreas com tendência ao colapso. Como a III está incorreta ao atribuir ao AFEL a situação de secreções centrais com roncos, a combinação correta é exatamente esta.
- E)I, II e III.
Aqui se afirma que as três proposições seriam verdadeiras. Embora I e II estejam corretas, a III erra ao indicar o AFEL para secreções centrais com roncos, porque esse cenário é mais compatível com o aumento rápido do fluxo expiratório. Assim, não é possível considerar todo o conjunto como verdadeiro.
Gabarito: D
A técnica de aumento do fluxo expiratório (AFE) é usada na fisioterapia respiratória para ajudar a mobilizar secreções e melhorar a ventilação. Em termos práticos, ela serve quando há secreção atrapalhando a passagem do ar, especialmente em quadros de obstrução brônquica. Por isso, a afirmativa I está correta: se o brônquio está “entupido” por muco, a técnica faz sentido. Dentro da AFE, existe a variação rápida (AFRR) e a lenta (AFEL). A AFRR usa fluxos mais intensos e pode ser arriscada em alguns pacientes, como aqueles com traqueobroncodisplasia, porque pode favorecer colapso de vias aéreas frágeis. Então a afirmativa II também está correta. Já a afirmativa III escorrega. O AFEL não é a escolha típica quando as secreções estão nas vias aéreas centrais com roncos na ausculta. Nessa situação, costuma-se trabalhar com técnica mais adequada para mobilizar secreção central, e não com a lógica descrita na afirmativa. Ou seja: o item tenta parecer técnico, mas troca a indicação. Assim, o gabarito D está certo porque apenas as afirmativas I e II estão corretas. Em fisioterapia respiratória, muito detalhe parece pequeno, mas muda a indicação da manobra - e a banca adora cobrar exatamente esse “quase certo” para ver quem lê com calma.