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Fisioterapia · FGV · 2021

Questão comentada de Fisioterapia

Recém-nascido, 14 dias de vida, pesando 3.0 kg. Foi internado na UTI e submetido à ventilação mecânica após choque séptico de origem pulmonar. A gasometria apresenta: pH: 7,1, PaCO2: 110 mmHg, PaO2: 150 mmHg, HCO3: 32.0mmol/L, BE:3.2mmol\L, SpO2: 100%. O paciente não teve sucesso na ventilação mecânica convencional, sendo instalada a ventilação oscilatória de alta frequência (VOAF). Assinale a opção que indica o distúrbio da gasometria e o ajuste necessário na VOAF para resolver a alteração gasométrica, respectivamente.

Gabarito: A

A gasometria mostra acidose respiratória: o pH está baixo (7,1) e a PaCO2 está muito alta (110 mmHg). Isso acontece quando o paciente não consegue eliminar CO2 adequadamente, e o bicarbonato um pouco elevado sugere início de compensação metabólica, mas ainda insuficiente. Em recém-nascido em ventilação oscilatória de alta frequência (VOAF), o principal determinante da eliminação de CO2 é a amplitude de pressão, também chamada de delta P ou oscilação de pressão. Na VOAF, a lógica é diferente da ventilação convencional: a oxigenação depende mais da pressão média das vias aéreas, enquanto a ventilação, isto é, a remoção de CO2, depende principalmente da amplitude. Se o CO2 está muito alto, o ajuste que você pensa primeiro é aumentar a amplitude de pressão para melhorar a ventilação alveolar e “varrer” mais CO2. Por isso, o gabarito é a alternativa A: há acidose respiratória e o ajuste necessário é aumentar a amplitude de pressão. A pressão média das vias aéreas até ajuda na oxigenação, mas aqui a SpO2 está 100% e a PaO2 está elevada, então o problema não é falta de oxigênio, e sim retenção de CO2. Em resumo: oxigenação está boa, ventilação está ruim. Na VOAF, isso costuma entregar a resposta com um sorriso de canto de boca da banca.

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