Recém-nascido, 14 dias de vida, pesando 3.0 kg. Foi internado na UTI e submetido à ventilação mecânica após choque séptico de origem pulmonar. A gasometria apresenta: pH: 7,1, PaCO2: 110 mmHg, PaO2: 150 mmHg, HCO3: 32.0mmol/L, BE:3.2mmol\L, SpO2: 100%. O paciente não teve sucesso na ventilação mecânica convencional, sendo instalada a ventilação oscilatória de alta frequência (VOAF). Assinale a opção que indica o distúrbio da gasometria e o ajuste necessário na VOAF para resolver a alteração gasométrica, respectivamente.
- A)Acidose respiratória e aumento da amplitude de pressão.
Correta: trata-se de acidose respiratória por retenção de CO2, e o ajuste da VOAF para melhorar a eliminação de CO2 é aumentar a amplitude de pressão.
- B)Alcalose respiratória e aumento da pressão inspiratória.
Errada: o quadro não é de alcalose respiratória, e aumentar a pressão inspiratória não é o ajuste clássico da VOAF para corrigir hipercapnia.
- C)Acidose respiratória e aumento da pressão média das vias aéreas.
Errada: a acidose respiratória até está correta, mas aumentar a pressão média das vias aéreas melhora sobretudo a oxigenação, não a remoção de CO2.
- D)Alcalose respiratória e redução da amplitude de pressão.
Errada: não há alcalose respiratória e reduzir a amplitude de pressão pioraria ainda mais a eliminação de CO2.
- E)Acidose respiratória e redução da pressão inspiratória.
Errada: o distúrbio não é alcalose respiratória, e reduzir a pressão inspiratória tenderia a diminuir a ventilação e aumentar a hipercapnia.
Gabarito: A
A gasometria mostra acidose respiratória: o pH está baixo (7,1) e a PaCO2 está muito alta (110 mmHg). Isso acontece quando o paciente não consegue eliminar CO2 adequadamente, e o bicarbonato um pouco elevado sugere início de compensação metabólica, mas ainda insuficiente. Em recém-nascido em ventilação oscilatória de alta frequência (VOAF), o principal determinante da eliminação de CO2 é a amplitude de pressão, também chamada de delta P ou oscilação de pressão. Na VOAF, a lógica é diferente da ventilação convencional: a oxigenação depende mais da pressão média das vias aéreas, enquanto a ventilação, isto é, a remoção de CO2, depende principalmente da amplitude. Se o CO2 está muito alto, o ajuste que você pensa primeiro é aumentar a amplitude de pressão para melhorar a ventilação alveolar e “varrer” mais CO2. Por isso, o gabarito é a alternativa A: há acidose respiratória e o ajuste necessário é aumentar a amplitude de pressão. A pressão média das vias aéreas até ajuda na oxigenação, mas aqui a SpO2 está 100% e a PaO2 está elevada, então o problema não é falta de oxigênio, e sim retenção de CO2. Em resumo: oxigenação está boa, ventilação está ruim. Na VOAF, isso costuma entregar a resposta com um sorriso de canto de boca da banca.