Uma das preocupações importantes no estabelecimento de objetivos e propostas de tratamento fisioterapêutico para pacientes portadores de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é a atrofia por desuso. Em indivíduos com diagnóstico recente dessa doença, recomenda-se
- A)cinesioterapia passiva.
Errada, porque cinesioterapia passiva isolada não é a melhor estratégia inicial para evitar atrofia por desuso em paciente ainda com capacidade funcional preservada.
- B)treinamento muscular respiratório.
Errada, pois treinamento muscular respiratório pode ser útil em alguns casos, mas não é a recomendação central para prevenir atrofia por desuso no diagnóstico recente.
- C)fortalecimento excêntrico com carga elevada.
Errada, porque fortalecimento excêntrico com carga elevada tende a ser inadequado na ELA, já que pode gerar fadiga excessiva e piorar a função.
- D)manutenção do nível de atividade muscular prévio.
Certa, porque a orientação inicial é manter o nível de atividade muscular prévio, com adaptações para preservar função e reduzir atrofia por desuso.
- E)uso de órteses seriadas para posicionamento e alongamento mantido.
Errada, porque órteses seriadas para posicionamento e alongamento mantido são recursos mais voltados a deformidades e encurtamentos, não à conduta principal no início da doença.
Gabarito: D
Na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o raciocínio fisioterapêutico precisa ser bem esperto: a doença causa fraqueza progressiva e também atrofia por desuso, então o objetivo inicial não é “forçar para ganhar músculo”, e sim manter o que ainda existe funcionando pelo maior tempo possível. Em diagnóstico recente, a conduta mais recomendada costuma ser preservar a atividade habitual do paciente, com orientação de exercícios leves a moderados, economia de energia e monitoramento de fadiga. Isso faz sentido porque a inatividade acelera perda funcional, enquanto o excesso de esforço pode piorar fadiga, dor e sobrecarga. Na ELA, a fisioterapia entra como aliada da autonomia, não como treino de hipertrofia. Em outras palavras: o plano é manter movimento com segurança, e não transformar o paciente em um atleta de academia no meio de uma doença neuromuscular progressiva. Por isso, a alternativa D está correta: em indivíduos com diagnóstico recente, recomenda-se a manutenção do nível de atividade muscular prévio, ajustando a prática para evitar descondicionamento e desuso. Essa é a lógica clássica da fisioterapia neurológica na ELA, focada em funcionalidade, conforto e prevenção de complicações secundárias. As demais alternativas fogem desse princípio. Passivo demais, forte demais ou imobilizador demais não combinam com o manejo precoce da ELA.