O diagnóstico de morte encefálica (ME) é o ponto inicial para o desencadeamento do processo de transplante de órgãos, tratamento efetivo para muitas doenças e, em muitos casos, a única opção terapêutica. Sobre como a equipe deve proceder diante do doente, caso a família autorize a doação de órgãos, analise as afirmativas a seguir. I. A temperatura corporal deve ser mantida acima de 35° C. II. Deve manter a hemoglobina e as plaquetas em níveis normais com sua reposição, caso necessário. III. Deve manter o suporte ventilatório e interromper o uso dos fármacos vasoativos, visto que o doente já está em morte cerebral. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
A alternativa apresenta a manutenção da temperatura corporal acima de 35 °C, medida correta na condução do potencial doador em morte encefálica. A normotermia evita piora da instabilidade hemodinâmica e ajuda a preservar a função dos órgãos para transplante. O problema é que a afirmativa II também está correta, então o conjunto pedido não fica restrito apenas à I.
- B)II, somente.
Aqui se afirma que a hemoglobina e as plaquetas devem ser mantidas em níveis adequados, com reposição quando necessário. Isso faz sentido porque a manutenção da capacidade de transporte de oxigênio e da hemostasia é essencial para preservar a viabilidade dos órgãos. Ainda assim, a assertiva I também é verdadeira, de modo que a alternativa não contempla todas as proposições corretas.
- C)III, somente.
A alternativa diz para manter o suporte ventilatório, mas interromper os fármacos vasoativos porque o paciente já está em morte encefálica. A primeira parte está de acordo com a manutenção do potencial doador, mas a segunda está errada, pois a equipe deve manter estabilidade hemodinâmica e perfusão orgânica, inclusive com vasopressores quando necessários. Morte encefálica não autoriza suspender automaticamente o suporte circulatório se isso comprometer os órgãos.
- D)I e II, somente.
A alternativa reúne duas medidas corretas de manutenção do potencial doador: manter a temperatura acima de 35 °C, para evitar hipotermia e disfunção orgânica, e preservar hemoglobina e plaquetas com reposição se necessário, para garantir oxigenação e hemostasia. Essas condutas são compatíveis com os protocolos de cuidado ao doador em morte encefálica. Como a afirmativa III está incorreta, o conjunto verdadeiro é exatamente I e II.
- E)I, II e III.
A alternativa soma as três afirmativas, como se todas descrevessem a conduta adequada diante do potencial doador. O erro está na III: o suporte ventilatório deve ser mantido e os fármacos vasoativos não devem ser simplesmente interrompidos, porque a prioridade é preservar perfusão e estabilidade hemodinâmica até a captação dos órgãos. Por isso, a inclusão da terceira proposição torna o conjunto incorreto.
Gabarito: D
Na morte encefálica, o corpo ainda pode ser mantido perfundido e ventilado por um tempo, e isso é decisivo para preservar a viabilidade dos órgãos para transplante. Por isso, a equipe precisa pensar como em um cuidado intensivo de manutenção, não como em um cuidado de conforto apenas. A ideia é evitar hipotermia, instabilidade hemodinâmica, hipoxemia e alterações hematológicas que prejudiquem a qualidade dos órgãos. A afirmativa I está correta: a temperatura corporal deve ser mantida acima de 35 °C, porque a hipotermia piora a função cardiovascular e pode comprometer os órgãos. A afirmativa II também está correta no contexto de manutenção do doador: é importante corrigir anemia e trombocitopenia quando necessário, para garantir oxigenação tecidual e reduzir risco de complicações. Em protocolos de manutenção do potencial doador, a reposição e o suporte clínico são orientados para preservar a perfusão e a oxigenação. A afirmativa III está errada. Mesmo com morte encefálica, o suporte ventilatório deve ser mantido, e os fármacos vasoativos não devem ser simplesmente interrompidos. Pelo contrário: eles podem ser necessários para sustentar a pressão arterial e a perfusão dos órgãos até a captação. Em termos práticos, a banca quer saber se você entendeu que o paciente em morte encefálica, quando há autorização familiar para doação, deve ser mantido em cuidado intensivo para preservação dos órgãos. Por isso, o gabarito é D: I e II, somente.