Paciente oncológico, WRV, 54 anos, apresentou isquemia da medula espinal cervical. À avaliação neurológica pode-se observar deficiências motoras e prejuízos sensitivos em graus variáveis, mobilização de forma útil dos membros inferiores (MMII) e mobilização de forma não útil dos membros superiores (MMSS), apresenta manutenção das funções sexuais, intestinais e urinárias. Avalie as afirmativas abaixo: I Este paciente apresentará diplegia devido à lesão dos segmentos cervicais da medula espinal, ou seja, perda da função motora ou sensorial dos MMSS, MMII e do tronco. II A Medida de Independência Funcional é uma das escalas mais frequentemente utilizadas para avaliação funcional do TRM. III Este paciente apresenta uma síndrome Centromedular. IV Este paciente apresenta uma síndrome de Brown-Sequard. V Em relação ao prognóstico, espera-se que este paciente recupere a capacidade de andar. VI No paciente com TRM qualquer sensação na junção mucocutânea anal ou sensação anal profunda indica que a lesão é incompleta. Dos itens acima mencionados, estão corretos, apenas:
- A)I, II, III e IV.
Errada, porque I é falsa e IV não corresponde ao padrão clínico descrito.
- B)I, II e IV.
Errada, porque I é falsa e IV também é incompatível com o quadro; apenas II está correta desse grupo.
- C)II, III, IV e VI.
Errada, porque IV é falsa e faltou a afirmativa V, que também está correta.
- D)II, III, V e VI.
Certa, pois II, III, V e VI estão de acordo com a avaliação funcional, o padrão centromedular, o prognóstico e o conceito de lesão incompleta.
- E)III, IV, V e VI.
Errada, porque IV não se aplica ao caso, apesar de III, V e VI estarem corretas.
Gabarito: D
Quando você lê um quadro de lesão medular, o primeiro passo é localizar o padrão neurológico. Em lesões cervicais, o esperado não é diplegia, e sim tetraplegia ou tetraparesia, porque MMSS, MMII e tronco podem ser afetados. Só que o detalhe da questão é bem importante: há piora bem maior nos MMSS do que nos MMII, com preservação das funções esfincterianas, o que aponta para síndrome centromedular (central cord syndrome), e não para Brown-Sequard. A síndrome centromedular costuma ocorrer em região cervical e afeta mais os membros superiores do que os inferiores, justamente porque as fibras que representam os MMSS são mais centrais na medula. Por isso, o paciente pode ter mobilização útil nos MMII e não útil nos MMSS, como descreve o enunciado. Já Brown-Sequard é outro desenho: lesão de metade da medula, com déficits motores e sensitivos típicos em lados diferentes, o que não bate com o caso. Na avaliação funcional do trauma raquimedular, a Medida de Independência Funcional (MIF) é mesmo uma das escalas mais usadas, porque ajuda a medir o impacto real na vida diária e na reabilitação. E, em relação ao prognóstico, a síndrome centromedular costuma ter chance razoável de recuperação da marcha, especialmente quando comparada à recuperação dos MMSS. Então a ideia de que o paciente pode voltar a andar faz sentido. Por fim, um conceito clássico: qualquer preservação sensitiva sacral, como sensação na junção mucocutânea anal ou sensação anal profunda, indica lesão incompleta. Esse é um marcador muito cobrado em TRM. Por isso, o gabarito correto é D: II, III, V e VI.