A dor lombar crônica está associada a altas taxas de incapacidade funcional, absenteísmo, elevado impacto socioeconômico e piora da qualidade de vida. Sobre as diversas estratégias terapêuticas possíveis, assinale a opção que apresenta maiores níveis de evidência científica:
- A)Abordagens biomecânicas passivas associadas à estimulação elétrica periférica sensorial.
Errada, porque abordagens passivas e estimulação elétrica sensorial isolada têm evidência mais limitada do que estratégias ativas associadas à educação e mudança comportamental.
- B)Abordagens biomecânicas ativas associadas às abordagens cognitivo-comportamentais.
Certa, pois a combinação de abordagens ativas com componentes cognitivo-comportamentais é a que reúne maior sustentação científica para dor lombar crônica.
- C)Terapia manual, orientação para repouso contínuo e abordagens com fitas adesivas (Ex: Kinesio taping).
Errada, porque repouso contínuo e fitas adesivas não são estratégias com alto nível de evidência para dor lombar crônica, e a terapia manual sozinha não resolve o problema funcional.
- D)Microfisioterapia, abordagens com fitas adesivas (Ex: Kinesio taping) e orientação para repouso contínuo.
Errada, porque microfisioterapia e fitas adesivas têm baixa sustentação científica, e repouso contínuo vai contra as recomendações atuais para dor lombar crônica.
- E)Microfisioterapia, fotobioestimulação e Infravermelho de longa duração.
Errada, porque microfisioterapia, fotobioestimulação e infravermelho de longa duração não são as opções com melhor respaldo científico para esse quadro.
Gabarito: B
Na dor lombar crônica, a lógica que melhor se sustenta na ciência não é ficar preso a recurso passivo. O que costuma trazer melhores resultados é combinar exercício, fortalecimento, reabilitação funcional e uma abordagem que ajude o paciente a entender a dor, reduzir medo de movimento e retomar atividades com segurança. Em outras palavras: corpo em movimento, cabeça alinhada e estratégia bem montada. As diretrizes mais consistentes para dor lombar crônica apontam maior benefício para intervenções ativas, especialmente quando associadas a componentes cognitivo-comportamentais. Isso faz sentido porque a dor crônica não depende só de músculo e coluna, mas também de fatores como crenças, medo de piorar, catastrofização e descondicionamento físico. Se você trata apenas a parte mecânica, o problema costuma voltar para cobrar juros. Por isso, a alternativa B é a correta: abordagens biomecânicas ativas, como exercício terapêutico e treino funcional, quando associadas a estratégias cognitivo-comportamentais, apresentam melhor sustentação científica. Essa combinação melhora função, adesão e autogestão do paciente, e não apenas um alívio momentâneo da dor. Já recursos passivos, fitas adesivas, repouso contínuo e técnicas sem boa sustentação costumam ter evidência inferior ou uso bem limitado. Em dor lombar crônica, repouso prolongado geralmente piora o quadro funcional, então a proposta moderna é o oposto: manter o paciente ativo, com progressão segura e orientação adequada.