Recém-nascidos prematuros têm maior risco de desenvolver insuficiência respiratória aguda ao nascimento devido aos seguintes fatores, EXCETO:
- A)Menor área de superfície de troca gasosa.
Certa: o prematuro tem menor área de superfície disponível para troca gasosa, o que reduz a eficiência respiratória.
- B)Redução na espessura da barreira alvéolo-capilar.
Errada: a redução da espessura da barreira alvéolo-capilar não é fator típico de insuficiência respiratória no prematuro e não corresponde ao mecanismo clássico cobrado.
- C)Deficit na quantidade de surfactante produzido pelos pneumócitos tipo II.
Certa: o déficit de surfactante pelos pneumócitos tipo II é uma causa central de dificuldade respiratória no recém-nascido prematuro.
- D)Costelas horizontalizadas determinando desvantagem biomecânica para o diafragma.
Certa: as costelas mais horizontalizadas dificultam a ação mecânica do diafragma, piorando a ventilação.
- E)Aumento da resistência de vias aéreas causado por glote e epiglote mais elevadas, e menor diâmetro de vias aéreas.
Certa: vias aéreas mais estreitas e estruturas como glote e epiglote em posição mais elevada aumentam a resistência ao fluxo de ar.
Gabarito: B
Nos recém-nascidos prematuros, a chance de insuficiência respiratória ao nascimento é maior porque o pulmão ainda está em fase de amadurecimento. Isso significa menos surfactante, vias aéreas mais estreitas, caixa torácica mais complacente e musculatura respiratória com menos eficiência. Em resumo: o sistema até tenta respirar, mas o conjunto mecânico e funcional ainda não ajuda muito. A alternativa que foge desse raciocínio é a que fala em redução da espessura da barreira alvéolo-capilar. Em prematuros, o problema não é esse afinamento como fator de insuficiência respiratória; pelo contrário, a imaturidade pulmonar traz dificuldades de troca gasosa por outros mecanismos, especialmente pela deficiência de surfactante e pela estrutura ainda imatura do pulmão. O surfactante, produzido pelos pneumócitos tipo II, reduz a tensão superficial e ajuda a manter os alvéolos abertos. Quando ele está em déficit, o prematuro colaba mais facilmente os alvéolos, piora a complacência pulmonar e aumenta o trabalho respiratório. Some a isso uma caixa torácica com costelas mais horizontalizadas e vias aéreas mais estreitas, e o bebê faz esforço para respirar desde o primeiro suspiro. Então, a lógica da questão é: quase todas as alternativas descrevem características clássicas da imaturidade neonatal, exceto a que aponta uma barreira alvéolo-capilar mais fina como causa de insuficiência respiratória. Em fisioterapia neonatal, esse tipo de detalhe anatômico costuma cair como “pegadinha de conceito”, misturando estrutura de troca gasosa com imaturidade funcional.