A adesão à Reabilitação Cardíaca (RC) é essencial para alcançar os benefícios clínicos associados, incluindo redução de mortalidade e de eventos cardiovasculares recorrentes. De acordo com os indicadores de qualidade estabelecidos, a frequência mínima de sessões é um parâmetro importante para maximizar esses resultados. Qual das alternativas a seguir descreve corretamente a relação entre o número de sessões concluídas e os desfechos clínicos em programas de RC?
- A)Não há relação comprovada entre o número de sessões e os desfechos clínicos.
Errada, porque existe relação entre adesão ao número de sessões e melhores desfechos clínicos na reabilitação cardíaca.
- B)Frequências abaixo de 12 sessões apresentam o mesmo impacto que ≥ 36 sessões.
Errada, pois frequências muito baixas não têm o mesmo impacto que participar de um volume maior de sessões.
- C)Participar de menos de 20 sessões é suficiente para reduzir eventos cardiovasculares
Errada, porque menos de 20 sessões não é o patamar associado aos melhores resultados clínicos em RC.
- D)Concluir, pelo menos, 36 sessões está associado a menores riscos de morte e infarto do miocárdio em longo prazo.
Certa, porque concluir pelo menos 36 sessões se associa a menor risco de morte e infarto do miocárdio em longo prazo.
- E)O efeito clínico da RC é, no máximo, após as primeiras 12 sessões, com benefícios adicionais negligíveis após esse ponto.
Errada, porque os benefícios da RC não se esgotam nas primeiras 12 sessões e tendem a aumentar com maior adesão.
Gabarito: D
Na Reabilitação Cardíaca, não basta apenas “aparecer de vez em quando”. A ideia dos indicadores de qualidade é justamente medir adesão suficiente para que o treino, o acompanhamento multiprofissional e a mudança de comportamento consigam gerar benefício real, como redução de mortalidade e de novos eventos cardiovasculares. Em outras palavras, quanto maior a participação dentro do mínimo recomendado, maior a chance de colher resultado clínico de verdade. Os programas de RC costumam usar o número de sessões concluídas como marcador prático de adesão. Isso porque a melhora não vem de uma sessão isolada, mas do conjunto: exercício supervisionado, educação em saúde, controle de fatores de risco e progressão segura da carga. É o famoso “não adianta querer resultado de maratona com meia voltinha no quarteirão”. Por isso, concluir pelo menos 36 sessões está associado a melhores desfechos, com redução de risco de morte e de infarto do miocárdio em longo prazo. Esse ponto é cobrado em diretrizes e indicadores de qualidade de programas de RC, que valorizam a dose mínima de participação como elemento ligado ao benefício clínico. Logo, a alternativa D está correta porque traduz exatamente essa relação dose-resposta: mais sessões concluídas, dentro do programa adequado, maior proteção cardiovascular ao longo do tempo.